20130321

Definição de Igreja Segundo a LUMEN GENTIUM

Eu vou tentar editar uma série de artigos sobre o CVII, sobre os pontos controvertidos e sobre como interpretar os seus textos. Não se trata de uma forma mais conveniente, mas da única forma possível, que é interpretar os textos segundo a Tradição da Igreja. Evidente que em 2.000 anos de Igreja, muitas normas deixaram de ser convenientes e podem ser alteradas. O celibato é uma dessas normas que foi alterada, a forma como se celebra a missa, dentre outras coisas. Dessa forma não é porque um papa que é canonizado disse determinada coisa que isso seja pertinente nos nossos dias. O CVII mudou, realmente, algumas questões dentro da Igreja, mas nunca moveu um milímetro sequer, normas de moral e fé, porque elas são cláusulas pétreas da nossa Constituição.

Um ponto controverso sobre a Lumen Gentium, que acaba fazendo as pessoas perderem a fé no seu texto, principalmente na parte que é a essência do texto, sua razão de ser, por causa dos pontos não essenciais. No entanto, também aí o texto ter razão é a definição de Igreja trazida nas primeiras linhas do documento.

A definição de Igreja, logo no início da Constituição Dogmática Lumen Gentium é a seguinte:

(...) a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano (...)

Antes de analisar o conteúdo, necessário observar que a intenção do documento não foi definir o que é Igreja, o documento que define a Igreja é o Catecismo, Igreja é o povo de Deus, cada Igreja Local, os locais sagrados, a Igreja do mundo inteiro em comunhão com o Papa, etc. Até porque a ideia central dessa Constituição Dogmática não é definir o que é Igreja, mas falar de alguns aspectos da Igreja e sua importância para o mundo contemporâneo, por isso a definição adotada é uma definição limitada ao assunto tratado dentro do documento. Com isso na cabeça, analisamos o conceito de Igreja.

Primeiramente: “em Cristo”. A Igreja é em Cristo, ou com Cristo? Com Cristo daria uma ideia de igualdade, no entanto “em Cristo” dá uma dimensão da magnitude de Cristo. A cabeça pode estar no corpo e não o corpo na cabeça. Se formos levar em conta o tamanho, diríamos que a cabeça está no corpo, no entanto, se fôssemos pela importância, talvez disséssemos que o corpo está na cabeça. Ocorre que Cristo é maior e mais importante que a Igreja e quando se fala que a Igreja é em Cristo, coloca ela no seu lugar de subordinada e Cristo como Senhor.

“Como que um sacramento, ou sinal” nos faz referência ao que significa um sacramento. O sacramento é um sinal perceptível, de uma realidade invisível, cuja eficácia para a Salvação da alma é plena. Se o texto dissesse que a “Igreja é um sacramento”, com certeza observaríamos que foi usada uma linguagem metafórica, porque sacramentos são apenas sete. Quando dizemos que a Igreja é como que um sacramento estamos dizendo que a Igreja é tangível, mas nos remete a uma realidade invisível, em comunhão com a Igreja Triunfante, cuja cabeça é Cristo, e que a eficácia da Igreja para a Salvação da alma é plena. Por isso que se alguém disser que Igreja não salva ninguém, você pode dizer sem peso de consciência: “só se for a sua, porque a minha é justamente para isso que existe”. Se disserem: “mas tem gente que não sai da fila de comunhão e chega lá fora e vai pra Zona do Baixo Meretrício e bate na mulher”, daí é obrigação sua defender aa Igreja dizendo que estar na fila da comunhão é ser membro da Igreja Católica, mas ir à ZBM e bater na mulher não é ser Igreja Católica. Seria o mesmo que tentar colocar a culpa no Código Penal pelos crimes que as pessoas praticam. Oras se a conduta é proibida pelo Código Penal, então como ele pode ser responsável? Se a Igreja condena essas atitudes, como pode ser ela responsável pelas desobediências dos seus filhos?

“instrumento da íntima união com Deus” nos remete ao fato de ser a Igreja o corpo místico cuja cabeça é o próprio Cristo. Se negarmos que a Igreja é um instrumento de íntima união com Deus, então estamos negando que é íntima a união de Cristo com a Igreja, do corpo com a cabeça, do esposo com sua esposa.

“unidade de todo o género humano”. Essa unidade se opera porque a Igreja recebeu uma missão muito especial de Cristo: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Apesar das controvérsias sobre a invocação da Santíssima Trindade nesse versículo, Cristo deu uma missão universal, para que todos nós unamos o gênero humano inteiro em um só povo. Essa é a missão que Cristo deu á Igreja: anunciar a todos os povos convertê-los ao Evangelho anunciado.

Como fica fácil de perceber, não se trata de uma interpretação a golpes de marreta, uma exegese muito forçada mais a única possível de interpretar, qual seja, obedecendo os dogmas de fé e os posicionamentos anteriores da Igreja. Fala-se muito em suspeitas, fala-se os acontecimentos pós conciliares são culpa do Concílio, mesmo que não vejamos isso em seus documentos. Muita coisa aconteceu nos últimos 50 anos que não foi o Concílio.

Esse texto foi escrito por Carlos André Perin, catecúmeno, mais da metade da vida dedicada ao Caminho Neocatecumenal, ao estudo sistemático, com o auxílio da Igreja, de diversos documentos, inclusive dos pertencentes ao CVII, sendo que fez perante a Igreja o propósito de auxiliá-la a aplicar o Concílio, quer na própria vida, quer na Comunidade, quer na vida e no mundo cada vez mais secularizado.


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2 comentários:

  1. Falaê seus nerds tetudos. Tem um enter a mais antes de começar o texto. tem como dar um grau ali para o texto começar mais alinhadinho com a imagem?

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  2. Agora ficou joinha. Eu também não consigo justificar os meus primeiros parágrafos no Blogger. O parágrafo que está em volta da imagem não justifica. Eu não consigo em outros blogs meus tbm. Mas só no primeiro parágrafo.

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