20130316

Dúvida, opinião, ou certeza (I)?

É com muita satisfação que começo, neste sábado, com este desafio que recebi dos coordenadores do trabalho, desafio este que é falar sobre a Tradição da nossa amada Igreja Católica Apostólica Romana.

Sempre fui católico com a graça de Deus, nasci em um lar católico, filho de uma ex-freira, que largou o convento por motivos familiares e um vicentino, participante ativo de movimentos da Igreja. Por isso, recebi desde pequeno os ensinamentos e valores católicos, os quais só posso agradecer a Deus por tamanha misericórdia, já que milhares e milhares de almas passam por esta vida sem conhecer a Nosso Senhor e a grandiosidade da religião que Ele nos deixou  aqui neste mundo.

Minha família sempre foi de católicos conservadores, meu pai principalmente sempre presou por valores cristãos de forma muito rígida,não permitindo aos filhos o desvio da correta doutrina. Se o fizemos, foi única e exclusivamente por decisão nossa, e nunca por falhas, pelo menos deliberadas, de nossos pais.

Porém, aquilo que conheço como Tradição Católica, chegou até mim de forma mais aprofundada a cerca de 4 anos atrás, quando comecei a pesquisar, logo após a morte de minha mãe, sobre os motivos pelos quais alguns “conflitos” aconteciam dentro da Igreja.

Assim, para contar um pouco melhor esta história, e não necessariamente a minha história, mas os motivos pelos quais enfrentamos hoje tantas conflitos e provações dentro da Igreja, vou adiantar um pouco, agora, a minha história, e chegar a uma palestra que escutei nos meados de 2012, de um sacerdote do IBP que esteve em minha cidade, e, desde então, passei a compreender melhor certos problemas.

O assunto tratado na palestra dizia respeito a Missa de Sempre, que prefiro chamar assim, mas conhecida também como Missa Tridentina, ou Missa Gregoriana, e oficialmente Missa no Rito Extraordinário Romano, que por questões óbvias, que não relatarei agora, é sim a Missa Ordinária da Igreja; e também o Magistério da Santa Igreja.

Esta questão, de compreendermos exatamente o que é o Magistério da Igreja, suas características de infalibilidade e principalmente os níveis de assentimento que devemos prestar ao Magistério são extremamente importantes para o Conhecimento da Crise de fé pela qual passa a Igreja. Sem este entendimento, as discussões, no meu modestíssimo ponto de vista, são improdutivas e afastam-nos da verdadeira realidade.

Então, para iniciarmos, partimos ao conhecimento de 3 termos que são importantes agora: dúvida, opinião e certeza. Estes 3 termos dizem respeito as possibilidades as quais estão sujeitas o assentimento humano. Este é, por sua vez, a adesão da inteligência a um julgamento. Assim, nós podemos através de um julgamento prévio de fatos, ter um determinado nível de adesão a uma situação objetiva. Podemos então, negar um assentimento, aderir com receio, ou mesmo aderir sem nenhum receio.

Sobre a dúvida então São Tomas de Aquin nos diz: ”Às vezes, com efeito, o intelecto não se inclina a um mais do que a outro, ou por causa do defeito daquelas coisas que movem o intelecto, como nos problemas dos quais não temos conhecimento; ou por causa da aparente igualdade das coisas que o movem para as duas partes. E essa é a disposição do que duvida, flutuando entre as duas partes da contradição”. Exemplificando, podemos analisar a opinião de alguém que está dentro de uma sala fechada, sem janelas e afirma: “Vai chover”. Nosso intelecto estabelece então uma dúvida, pois a pessoa que afirma tal frase não possui conhecimentos suficientes sobre as condições climáticas para dizer com precisão que neste exato momento vai chover. E isso porque ela não encontra nenhuma razão para afirmar ou negar algo. No plano objetivo a dúvida é uma mera possibilidade, não podendo jamais mover o nosso intelecto a estabelecer um juízo.

Seguindo então, sobre a opinião, São Tomas de Aquino nos diz: “Às vezes, porém, o intelecto se inclina mais a um do que a outro, mas aquilo que o inclina não move suficientemente o intelecto ao ponto de o determinar totalmente em uma das partes. Por isso, aceita, sim, uma parte, mas sempre duvida em relação à parte oposta. Essa é a disposição do que opina, que aceita uma parte das contraditórias, mas com medo de que a outra seja verdadeira”. Chegamos aqui ao um estado do intelecto que adere a um determinado juízo, porém ainda com receio de que, em determinados casos, o juízo contrário também seja verdadeiro. A razão pelo qual isto acontece, impedindo a adesão absoluta a determinado juízo é a probabilidade. Voltando ao exemplo citado anteriormente, digamos agora que a mesma pessoa esteja em um quarto com janela, e olhando para o exterior, observando as nuvens no céu, diga novamente: “Vai chover”. A adesão do intelecto a este julgamento agora é superior, pois existem dados que permitem acreditar de forma mais concreta em determinada direção, sendo assim trata-sede uma verdadeira adesão, porém ela não é absoluta e incontestável.

Chegando por fim a certeza, São Tomas de Aquino nos explica: “Às vezes, porém, o intelecto possível é determinado a aderir totalmente a uma parte”. E ainda: “A certeza não é nada além da determinação do intelecto a uma das partes”. Assim, face a uma evidência, o intelecto realiza um julgamento de certeza. Esta pode acontecer de duas formas: Na primeira, a inteligência é movida em si mesmo pelo objeto, imediatamente, quando conhecedora dos primeiros princípios, ou mediatamente, quando conhecedora da conclusão de uma observação. Na segunda forma, este julgamento, pode acontecer não pelo objeto em si, mas por um ato de uma das potências da alma, a vontade, que move o intelecto a aderir pela evidência da autoridade de uma testemunha que afirma algo.

Na próxima semana voltamos a falar da maneira como os diversos tipos de assentimento são aplicados ao Magistério da Igreja.

Salve a Virgem Puríssima!

Por: Eugênio Mendes de Souza Lima

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