20130315

Maria Mãe de Deus

Theotokos: A Confirmação da Divindade de Cristo

“À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus...ó Virgem gloriosa e bendita!” – Nesta oração conhecida como “À vossa Proteção”, a mais antiga oração Mariana que se tem notícia, datada do início do século III, podemos encontrar um dos mais gloriosos títulos da Virgem Santíssima, que nesta oração é chamada de “Theotokos”, que em grego significa “Mãe de Deus”.

Podemos constatar que o título de Mãe de Deus foi dado à Virgem Santíssima pelas primeiras comunidades cristãs, sendo então, com toda certeza, provindo da Tradição Apostólica. Mas por que então toda a dificuldade em se aceitar a maternidade divina de Maria? A resposta está inserida na dificuldade que os cristãos sempre tiveram de definir a pessoa do próprio Cristo, tanto é que hoje, em pleno século XXI, a maioria das seitas pentecostais, não chegaram ainda a um consenso a respeito da pessoa de Jesus.

Muitos então poderiam perguntar-se: Por que a bíblia não trás de maneira objetiva o título de“Theotokos”? O próprio Cristo nos dá esta resposta no capítulo 16 de João quando Ele mesmo diz:“Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis entender agora. Quando vier o Paráclito,o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade...”. Como de início foi dito, a dificuldade de se entender os mistérios divinos está alicerçada na própria limitação humana. Jesus sabe desta realidade,por isso, alem de nos trazer a plenitude da Revelação, age de maneira cautelosa para não causar espantos e escândalos entre seus seguidores. O fato é que não podemos encontra nenhuma passagem bíblica onde Jesus diga, pela própria boca, de maneira objetiva que é uma Pessoa divina, ou seja, Deus, assim como o Pai. Porem, podemos encontrar passagens onde Jesus é chamado, pelos seus apóstolos de Deus. Deparamos-nos então com a revelação de Jesus, que mesmo sendo cautelosa, em vista de nossas limitações, é plena e eficaz.

Não foi fácil para os primeiros cristãos, em sua maioria provindos do Judaísmo, aceitarem a divindade de Cristo, uma vez que a doutrina da Trindade não estava totalmente consolidada e definida. A crença no Filho que é Deus como o Pai, foi visto como uma oposição ao monoteísmo judaico, por isso esta doutrina foi aceita com muita dificuldade pelos primeiros cristãos e pregada com muita cautela pelos apóstolos.

As contendas a respeito da divindade de Cristo não se encerram com a perseguição aos cristãos, pelo contrário. Surge, por volta do ano 319 o Arianismo, heresia que nega a divindade de Jesus e que se difundiu ao ponto de haver a necessidade da convocação do Concilio Ecumênico de Niceia I, que definiu de uma vez para sempre o dogma a respeito da divindade do Filho de Deus.

Podemos ver, neste sentido, que a Mariologia avança juntamente com a Cristologia, uma vez que aquela é inteiramente dependente desta, por sua própria natureza. Podemos ver que, a medida que se conhece a pessoa de Jesus, também conhece-se as virtudes e privilégios de Maria. Com este avanço a Igreja proclama, por meio do Concílio de Éfeso no ano 431, o Dogma de “Maria, mãe de Deus”, que justamente confirma a doutrina de que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Não são poucos os testemunhos da Igreja primitiva que nos apontam esta verdade de fé, quer na tradição, quer nos evangelhos. Maria é aclamada de “mãe de meu Senhor”, por santa Isabel antes mesmo do nascimento de Jesus (cf. Luc 1, 43). O termo usado por Isabel para qualificar a maternidade de Maria foi “Kyrios”, ou seja, “Senhor”, termo este usado pelos Judeus para se referirem a Deus, uma vez que os semitas não pronunciam, por preceito, o nome “Iave”. Maria não é mãe de um menino qualquer, Ela é mãe do Senhor, que é Deus. Santo Irineu já no ano 180 D.C. dizia: ““ A Virgem Maria… sendo obediente à sua palavra, recebeu do anjo a boa nova de que ela daria à luz Deus”. Parece-nos simples entender a maternidade divina de Maria, se antes entendemos a divindade de Cristo. Porem, existem ainda inúmeras objeções.

Muitos alegam que Deus, por ser eterno não pode ter mãe. Não entendem que O verbo veio no Tempo, sem deixar de ser na eternidade. Ou seja, verdadeiramente o Verbo divino se fez carne, porem não deixou de ser Deus com o Pai. Essa objeção cai por terra quando fazemos a distinção entre o ser mãe e o ser criadora. Maria gerou o verbo divino e não O criou. O Verbo sempre existiu, porem, Ele se fez carne, foi gerado no tempo. Neste sentido os Santos chama Maria de “mãe do Verbo encarnado” para fazer alusão à encarnação de Cristo, em Maria.

Maria está unida inevitavelmente à economia da Salvação, por sua eterna predestinação para ser mãe do Salvador, inseparavelmente unida com seu Filho em um só decreto eterno. Os dogmas Marianos giram em torno de Cristo, a revelação do Pai e dizem a Ele respeito.

Por fim, deve-se entender a importância do dogma de “Maria mãe de Deus”, que é, por sua essência a base da relação de Maria com Cristo, com o Cristo total, com toda a teologia e o cristianismo; é, portanto, o princípio fundamental de toda a mariologia.

Por: Murilo Evangelista Barbosa
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