20130320

O Alvorecer de um novo Papado


A renúncia e a eleição papal foi um dos eventos mais emocionantes e tocantes   dos meus últimos meses. Bento XVI renunciou, e eu renunciei com ele. Ele parecia  consciente de sua decisão e sereno, eu não.

 Logo depois veio a inquietação de um novo conclave que eu acompanhei a cada segundo. Na minha mente surgiram várias perguntas e eu já questionava o Papa sem o conhecer: será que ele conservaria a Igreja? Confirmaria a fé dos             bispos? Seria um exemplo para o clero? Amaria a liturgia?

 A cada passo do colégio de cardeais eu ficava mais ansiosa, dizia confiar no Espírito Santo, mas na verdade estava confiando apenas em meus palpites.O  Habemus Papam foi dito pelo Cardeal Jean-Louis Tauran e era grande a expectativa. 

O novo papa era um Jesuíta, um Jesuíta latino, eu desesperei internamente, era notável a mudança de expressão. Eu realmente desesperei de Deus, naquele  momento nem recordava do Espírito Santo, da consciência dos Cardeais e da  Providência divina. Os Jesuítas latinos têm uma péssima reputação, um ou outro vindo da Europa tem algo de ortodoxo a oferecer, o que é uma pena em se tratando daqueles que foram um dia chamados de a 'milícia do papa'. 

Escolhendo ser chamado de Francisco aparece o até então pouco conhecido, Cardeal Bergoglio na sacada da Basílica de São Pedro. Quando um papa escolhe um nome ele quer dizer com poucas palavras ao seu rebanho como será o seu papado. Normalmente absorve fortes aspectos daqueles onomásticos que o precederam, mas, Francisco? Nenhum papa se chamara Francisco, sequer sabíamos de qual dos São Franciscos se tratava. 

Depois de alguns dias o Cardeal Timothy Dolan esclareceu que era a face do  “Pobrezinho de Assis” que o papa levara a Roma; depois de pensar um pouco fazia sentido, pois era conhecido por sua vida simples e um episcopado rico. 

Senti muito quando ele, na sua primeira aparição, não rezou em latim, uma   língua que Bento XVI me ensinou a amar, mas confesso que ao descobrir seu  coração franciscano ele me desarmou. Eu que tenho uma devoção especial por aquele que escolhendo ser o menor de todos se tornou grande para Deus. E aos poucos o "Francisco de Roma" foi me revelando a sua face bondosa, amável e simpática, características que depois de um magno como Bento XVI obviamente não seriam suficientes para um papa. 

E começaram a surgir as comparações com Bento XVI, o que na minha opinião é um grande erro, embora acabe sendo inevitável. Algo que se espera da   mídia, mas não dos fieis católicos, porém a conclusão quase geral foi: ruptura.

Com isso a mídia se alegrou, hereges regozijaram e muitos católicos lamentaram. O que me fez recordar pontos da vida de São Francisco de Assis, pois foi comparado com os hereges por sua renúncia radical, por abdicar dos seus bens materiais e de uma honra que poderia ter. Assim ele escandalizou a muitos. Mas a sua humildade não era externa, o pequeno de Assis desejou ser o menor de todos. Contudo, antes disso chegar em suas vestes chegou primeiro em seu coração. Em um ato de humildade foi procurar a autoridade eclesiástica local para conter o alvoroço que estava em Assis, foi então que seu bispo disse uma frase marcante 'Os ricos te odeiam por você renunciar ao que eles têm, os pobres por você rejeitar aquilo que eles desejam ter'. E algo similar tem acontecido com o Santo Padre Francisco. Mas como assim? Ninguém em sã consciência deseja o papado! É verdade, ninguém de forma consciente deseja ser o papa, seria muita humildade, eles querem mais do que isso. Não querem ser o papa, na verdade querem ir além, querem ditar o que o papa deve fazer e como a Igreja deve ser conduzida, algo que normalmente deixamos nas mãos de Cristo. 

Não vejo no Papa Francisco uma ruptura radical com o legado de Bento XVI,  mas vejo uma continuidade necessária para a Igreja. O martírio branco Francisco SS já está carregando e dessa vez é mais interno do que externo, daqueles ditos católicos que estão tão corrompidos que não conseguem ver a Providência divina agindo na Igreja, entretanto enxergam a 'fumaça de Satanás' em todos os cantos. 

Bento XVI, a quem devo eterna gratidão pelo início da minha conversão, nos mostrou a beleza da liturgia. Para ele, a liturgia era um dos pontos centrais da Igreja, a ela se deviam as mazelas e graças dentro da Igreja, tudo dependia de como ela estava sendo celebrada. Graças a Bento XVI foi possível a muitos conhecer a beleza da Missa Tridentina, a grandeza de conhecer a Doutrina da Igreja, a importância de enxergar a razão como dom de Deus. Enfim, se formos exaltar os pontos positivos do pontificado de Bento XVI ficaríamos aqui eternamente, mas não é o ponto. Eu acompanhei três pontificados, e percebi como Joseph Ratzinger completou com a esperança o legado de fé deixando por Wojtyla e dessa forma acontecerá com Bergoglio e a caridade, e caridade franciscana. 

Bento XVI nos mostrou a graça de Deus na razão humana, mas muitos, incluindo bons sacerdotes, tornaram a fé cristã uma série de ações externas e sem o auxílio do Espírito Santo. 

Permitamos através do Santo Padre Francisco ver a face divina no sofrimento do outro, quebremos o preconceito de pensar que os pobres é monopólio da Teologia da Libertação, e assim como Madre Teresa, Isabel de Hungria, Pier Giorgio, Vicentede Paula, Domingo Gusmão e toda a Igreja Triunfante completar em nossa carne aquilo que faltou no sacrifício de Cristo, aqueles pobres de quem Francisco SS tanto fala, o pobre que sofre por não ter o que comer e também pelo pobre que o tem em excesso, o pobre que sofre por não conseguir dispor do seu orgulho, o pobre que sofre por suas mazelas pessoais, o pobre que sofre por não encontrar Deus nas coisas simples, o pobre que sofre por não ter a Igreja como mãe, e umas das maiores pobrezas, a qual eu participo miseravelmente: a pobreza de desesperar da misericórdia de Deus.

O Santo Padre em poucos dias de pontificado já tem feitos extraordinários, dentre eles algo que eu julgava quase impossível, ele tem colaborado radicalmente pela conversão de minha alma.

Não nos apeguemos a pequenos detalhes, lembremos que São Francisco de Assis antes de fazer seu voto radical de pobreza, fez um voto radical de obediência, o qual ele nunca traiu. Rezemos a Santíssima Virgem para o que Cristo continue a interceder pelo Santo Padre que gloriosamente e humildemente reinante possa mais uma vez confirmar a fé dos seus irmãos. Santo Ignácio de Loyola levantou um dos poucos filhos fieis para entregá-lo um dos maiores fardo do mundo, para que, assim como São Francisco Xavier colabore com a conversão do mundo pagão. Que seja humilde como o Francisco de Assis, corajosos e destemido como o de Xavier e apologista e defensor da fé como o Salles. A juventude que amou Bento XVI também o amará.

 Ad majorem Dei gloriam!

Por: Nina Viana

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