20130328

O Ecumenismo segundo o Concílio Vaticano II

Antes de adentrar na análise do conteúdo dos documentos conciliares, eu acredito ser necessário fazer alguns esclarecimentos preliminares, para entendermos o que é cristianismo, o que significa outras religiões e qual a situação das correntes de pensamento diferentes do cristianismo e as seitas perante o catolicismo romano. Por causa disso, esse artigo terá duas partes: a primeira tratando da situação das outras correntes filosóficas frente ao cristianismo e das seitas não católicas e a segunda parte adentrando no mérito do texto conciliar apontando qual a correta interpretação do texto á luz da Tradição e dos dogmas.

Necessário trazer ao conhecimento o que nosso Papa Emérito, Bento XVI, escreveu no livro sobre a infância de Cristo, mais especificamente a parte que fala sobre os Reis Magos. É mais ou menos com esse enfoque que devemos olhar as doutrinas não cristãs.

Nosso Papa Emérito escreveu no livro que os Reis Magos (Baltazar, Gaspar e Melchior) eram Persas, sacerdotes, talvez da religião zoroástrica. No entanto, além de sacerdotes, segundo o mesmo livro, eles eram cientistas. Eles desempenhavam uma função como de astrônomos, ou astrólogos. Não havia uma distinção entre química e alquimia, astrologia e estronomia e diversas outras situações análogas, porque foi a Igreja Católica que, muitos séculos depois conseguiu expurgar o misticismo de algumas pretensas ciências, retirando dela o que é realmente método científico e o que é misticismo.

Acredita-se que os reis magos são persas, por causa da própria narrativa bíblica que fala que os magos vieram do oriente de Belém e ao oriente da chamada região da mesopotâmia nada mais havia que não o império persa.
Ocorre que os reis magos reconheceram o sinal do nascimento de Cristo. Isso significa que todas as religiões não cristãs convergem para o cristianismo. Eles procuram a Cristo de maneira imperfeita, porque Cristo não se revelou a ele, dependendo, eles, de receberem o anúncio da boa notícia de que Cristo nasceu em Belém, morreu para a remissão dos nossos pecados e ressuscitou glorioso para que nós também um dia ressuscitemos por sua graça.

Além de teólogos, sacerdotes, eles eram também cientistas. A ciência verdadeira, a ciência honesta, esta deve apontar para Cristo também. Não há outro caminho de honestidade no mundo que não aqueles que apontam para Cristo. Até chegou-se a dizer algumas vezes, em justificável situação de erro, que todos os caminhos apontam a Cristo. Errado. Todos os caminhos CORRETOS apontam para Cristo, tanto na ciência, quanto na teologia não cristã, quanto na teologia não católica.

Esse é o sentido da narrativa dos Reis Magos. Eles não receberam uma revelação pública de Cristo (NT), nem de Deus Pai (AT), mas foram honestos e chegaram a Cristo, quer pela ciência, quer pela teologia.
Neste ponto vem uma distinção importante. O que é cristão não católico e o que não é cristão.

Os cristãos são aquelas doutrinas baseadas no catolicismo, aquelas que se ramificaram a partir do Catolicismo a partir da Reforma, dos cismas e de diversos outros episódios de rupturas, como Igreja Católica Apostólica Brasileira/Carismática, Igreja Veterocatólica, dentre outras.

A relação da Igreja com essas Igrejas, ou supostas/pretensas igrejas deve ser necessariamente diferente da relação com o Hinduísmo, paganismo, porque aquelas aceitam a Cristo e a revelação neotestamentária. A relação com o judaísmo deve ser um caso à parte porque, não obstante eles não aceitem a Revelação Neotestamentária, eles possuem a tradição veterotestamentária, o que acaba sendo um diferencial com relação às outras doutrinas que não aceitam, sequer, o AT.

Assim sendo, temos que com os cristãos, segundo os critérios acima, são destinatários do ecumenismo e os não cristãos são destinatários do diálogo inter-religioso.

A relação da Igreja Católica com outras doutrinas é necessária, porque há católicos vivendo em território chinês, em territórios em que os católicos não são bem vindos. Um embate direto, tipo, “a Igreja Católica é a única religião verdadeira e as outras cristãs são heréticas e as não cristãs são todas pagãs”, pode gerar muita confusão, inclusive com derramamento de muito sangue inocente e processos sobre processos, inclusive por parte dos assumidamente pagãos porque o termo paganismo foi usado como algo pejorativo. Ninguém quer que um avião cheio de explosivos seja lançado sobre a Cátedra Petrina com o Vaticano lotado de fiéis. O Verdadeiro mártir tenta salvar a própria pele. São Policarpo tentou se esconder, mas uma vez preso aceitou sua sorte. O Vaticano não pode produzir mártires com suas declarações e o pessoal da cúpula sabe que qualquer alfinetada contra os muslim, judeus, ou até mesmo contra outras doutrinas pode gerar uma comoção mundial e aumentar mais ainda a perseguição contra a Igreja e seus membros. Uma mãe tenta salvar a vida dos filhos e não incitar os leões contra eles. Ainda que não seja derramamento de sangue, mesmo que for apenas uma questão financeira, de ser processada e ter que pagar polpudas indenizações a pessoas e segmentos religiosos, a Igreja não pode gastar dinheiro com processos judiciais e deixar de investir o dinheiro naquilo que ela sempre fez: O anúncio do Evangelho e celebração dos sacramentos (em primeiro lugar) e ajudar ao necessitado (em segundo), porque quem sabe e pode fazer o bem e não faz, peca.

No próximo texto adentrarei no conteúdo dos documentos conciliares e apresentarei o que é o ecumenismo segundo à visão do CVII.

Por: Carlos André Perin

Compartilhar:

0 comentários:

Postar um comentário