20130312

O Feixe da força Papal: Os Cardeais

Estamos vivendo um momento de muita preocupação nestes últimos dias. Bastou a sábia e prudente renúncia do Santo Padre para que a mídia começasse a insistir em querer deformar a concepção de Igreja que o povo católico vive. Por isso, começamos a perguntar-nos mais sobre a nossa Madre Igreja, desde sobre como será a vestimenta do Papa Bento XVI até como seguirá a Igreja daqui para frente.
Nesta postagem de Eclesiologia, trataremos sobre os cardeais e suas funções, a fim de que nos inteiremos e estejamos unidos à Santa Igreja mais perfeitamente e possamos estar seguros da perfeição que Ela tem de característica. Portanto, o que a Igreja nos diz sobre os cardeais?
São também chamados de purpurados os cardeais, quando agrupados no Colégio Cardinalício, pela cor vermelho-carmesim da sua indumentária. Eles são considerados como "príncipes da Igreja". A etimologia do termo cardeal encontra-se no latim cardo/cardinis, que significa “eixo”, algo que gira, neste caso em torno do Papa.
O cânon 349 do Código de Direito Canônico descreve-os assim:
"Cân. 349 — Os Cardeais da Santa Igreja Romana constituem um Colégio peculiar, ao qual compete assegurar a eleição do Romano Pontífice de acordo com o direito especial; os Cardeais também assistem ao Romano Pontífice quer agindo colegialmente, quando são convocados para tratar juntos as questões de maior importância, ou individualmente, nos vários ofícios que desempenham, prestando auxílio ao Romano Pontífice no cuidado cotidiano da Igreja universal."
Os cardeais, por conseguinte, dentre várias funções importantes que exercem, basicamente três são a eles concernentes:
I - Assegurar a eleição do Romano Pontífice;
II - Auxiliá-lo agindo quando com o Colégio Cardinalício;
III – Tratar algum ofício particular.

Cardeais na História
Embora estejamos acostumados com a eleição somente de cardeais, em uma época já houve a possibilidade de eleição de qualquer homem batizado e que estivesse em comunhão com a Igreja Católica. Porém, há mais de 600 anos que o escolhido é um cardeal, sendo que o último provindo de fora do Colégio Cardinalício foi Urbano VI em 1378. Essa questão mudou em 1050, quando várias famílias de Roma queriam dominar o papado, o que resultou em o Papa Leão IX(1049-1054) chamar vários homens que considerava capazes de o ajudar a reformar a Igreja.
Mesmo com as mudanças sobre a eleição do Romano Pontífice, ainda havia problemas. Havia uma forte influência das facções romanas e do controle secular do imperador. Para esse fim, Nicolau II realizou, na Páscoa de 1059, um sínodo em Latrão, com a participação de cento e treze bispos decidindo e afirmando por intermédio da Bula Pontifícia “In nomine Domini” que logo depois da morte de um papa, os cardeais-bispos que devem escolher entre si um candidato e que, depois de terem concordado com um nome, eles e os outros cardeais devem proceder à eleição. O restante, clero e leigos, têm o direito apenas de aclamar a sua escolha e não mais influenciá-la.
Após um século, porém já abandonada pelo Direito Canônico em 1983, institui-se o Sacro Colégio.
Paulo VI (1897-1978) fixou em 120 o número de cardeais eleitores do Papa e estabeleceu como idade limite para a possibilidade de votar os 80 anos. Porém, já houve apenas 20 cardeais no ano de 1334, e, em 1586, pela instituição de Sisto V, 70 eram os cardeais — número constante por quatro séculos, ou seja, até João XXIII (1958-1963).
Há de se ressaltar também que o clero formava-se, no início da Igreja, pelo presbitério de Roma, os diáconos e os bispos que estavam ao redor da cidade e das seis dioceses que recebem o título de suburbicárias, pois estavam na periferia de Roma.
No entanto, devido à escolha dos integrantes do clero estar limitada à região de Roma, não se percebia a catolicidade da Igreja, e o Papa sendo o sucessor de São Pedro, pastor supremo da Igreja do mundo inteiro. Então começou-se a criar uma realidade simbólica à nominação de pessoas para o preenchimento do lugar dos bispos suburbicários, dos padres e dos diáconos de Roma. Ao receberem o título de cardeal, recebem também simbolicamente uma paróquia na diocese romana para que preencham o pré-requisito de fazerem parte, ao menos simbolicamente daquele clero.
Atualidade da Igreja¹
Atualmente, a estrutura hierárquica conta com seis cardeais bispos. O mais importante é o Cardeal Bispo simbólico de Óstia (porto de Roma) e de Albano, que é o Cardeal decano Angelo Sodano, secretário de Estado aposentado, o qual não entrará no conclave por ter mais de 80 anos de idade. Ele foi precedido pelos Cardeais Joseph Ratzinger, Bernadin Gantin e Agnelo Rossi, arcebispo de São Paulo, único Cardeal decano brasileiro.
Historicamente, um outro cardeal brasileiro ocupou o cargo de Cardeal Bispo: Dom Lucas Moreira Neves, que depois de ser Cardeal de São Salvador, na Bahia, foi para Roma, onde tornou-se prefeito da Congregação para os Bispos e recebeu o título de Cardeal Bispo da diocese suburbicária de Sabina-Poggio Mirteto, que hoje é ocupada simbolicamente pelo Cardeal Giovanni Battista Re, que irá presidir o conclave.
Interessante notar que dentre as seis posições de destaque entre os cardeais bispos, nem todos irão adentrar ao conclave por terem ultrapassado a idade limite. A conduta então é decrescer até encontrar um cardeal bispo que preencha os requisitos. Nesse caso, somente dois entrarão: Giovanni Battista Re e Tarcísio Bertone.
O Cardeal Tarcisio Bertone, além de ocupar o cargo de Secretário de Estado do Vaticano, recebeu do Papa Bento XVI a função de camerlengo, que, dentre outras atribuições, trata-se historicamente do tesoureiro da diocese de Roma enquanto durar a sede vacante.
Atualmente existem 154 cardeais presbíteros, 45 cardeais diáconos (os quais geralmente servem na cúria romana). Este é o clero que irá eleger o novo Papa.
¹texto retirado de Christo Nihil Praeponere
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Fontes analisadas:

* Christo Nihil Praeponere
* Universo Católico
* Catolicismo Romano
* Catholic Encyclopedia(1913)


Por:Mayco Biasibetti 
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