20130426

A culpa é do CVII? Mas o CVII está sendo aplicado?



A culpa é do CVII? Mas o CVII está sendo aplicado?

Gostaria de iniciar o presente artigo questionando, mas questionando e pedindo sinceridade na resposta: “antes de criticar o CVII, você já tentou aplica-lo?”.

Parece uma pergunta bisonha até, mas é sério, porque, de um lado eu vejo os anglicanos e orientais se convertendo à Igreja Particular Sui Juris e, de outro lado, pessoas que mais lembram membros de algum organismo fundamentalista, ou terrorista católico enlanguescendo distâncias e fazendo com que os hereges se endureçam cada vez mais contra a Sã Doutrina.

Isso não é uma batalha que se vença na discussão, isso não é uma batalha que se vença com persuasão lógica, porque uma pessoa, para abandonar a Igreja de Cristo, a verdadeira, ou para nela não ingressar e perseverar, já abandonou a lógica.

Thomas Paine disse sabiamente que “discutir com uma pessoa que renunciou à lógica é o mesmo que dar remédio a um homem morto”, então essa tarefa cabe ao Deus que ressuscita os mortos.

Eu tenho anos de experiência com debates e tenho certeza de que o catolicismo verdadeiro se anuncia com a vida e com oração e não vencendo debates. Debates são importantes apenas para aumentar a qualidade da sua própria fé, mas a pessoa contra quem você debate dificilmente vai se converter ao catolicismo porque foi vencida em um debate.

Essa realidade é tão profunda que os protestantes já estão falando que Agostinho de Hipona introduziu diversas heresias na Igreja Católica, que Irineu de Lião não é confiável nos seus relatos, relativizam a importância histórica de História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia. É evidente que se demonstrarmos que Maria era cultuada desde o século II, que desde o século III, quando as relíquias de Pedro e Paulo estavam na catacumba de São Sebastião as pessoas dirigiam pedidos de intercessão a esses dois santos, eles vão dizer que isso tudo é heresia. Não basta mostrar os 67 milagres ocorridos em Lourdes, porque eles vão dizer que, não é porque a ciência de hoje não explica que seja inexplicável, muita coisa era inexplicável há 200 anos atrás e hoje em dia é explicável. Ou ainda vão usar a estratégia do pombo enxadrista e dizer que é tudo obra de Satanás para continuar enganando os romanistas.

É evidente que o método da persuasão apenas vai fazer com que os hereges se endureçam cada vez mais para a Sã Doutrina, porque eles não vão buscar fontes honestas para fundamentar as suas respostas, mas vai estudar, estudar e estudar cada vez mais com o fim de alimentar cada vez mais a sua ignorância e querendo te levar para o lado da ignorância dele também. Mas o que fazer?

Muitos papas, muitos documentos da Igreja recomendaram distância, não participar de atividades religiosas junto com os hereges e até evitar relacionar-se com eles. A pergunta é: isso é norma de moral e de fé, dita de maneira solene, invocando o poder das chaves, ou norma adequada àquele ambiente histórico? Se for a segunda opção, o que o CVII fala hoje em dia sobre a questão?

Vejamos alguns excertos do Decreto Unitatis Redintegratio:


Este sagrado Concílio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico (nº 4).

Esses sinais dos tempos remetem justamente àquelas necessidades e prioridades que se vão mudando com o passar dos tempos. O tempo agora é de aproximação para que os separados voltem à comunhão. Os frutos legítimos desse ecumenismo é a volta de centenas de milhares de anglicanos, de dioceses inteiras deles para o catolicismo romano.


Desde que os fiéis da Igreja católica prudente e pacientemente trabalhem sob a vigilância dos pastores, tudo isto contribuirá para promover a equidade e a verdade, a concórdia e a colaboração, o espírito fraterno e a união (nº 4).

Agora eu pergunto se os debates, acusações e trocas de farpas fomentam a união e o retorno deles à comunhão ou geram mais separação e ainda mais distanciamento? Será que a nossa abordagem tem sido coesa com o que prega o CVII e, se fosse, não teríamos melhores resultados?


Além disso, declara estar consciente de que o santo propósito de reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e a capacidade humana (nº 24).

Temos que reconhecer que é uma intervenção de Deus na história que vai fazer com que os protestantes se convertam verdadeiramente e que isso não vai acontecer pelos nossos esforços, ainda mais se estivermos agindo sem o respaldo pontifício, sem o amparo presbiteral, sem o apoio pastoral dos bispos. Agir de maneira contrária ao que prega o CVII e ao arrepio da Diocese, Paróquia e de Roma, é agir em desobediência, pura e simplesmente.

Talvez um dos trechos mais controvertidos desse Decreto que é ainda no nº 24 que fala:


Este sagrado Concílio exorta os fiéis a absterem-se de qualquer zelo superficial ou imprudente que possa prejudicar o verdadeiro progresso da unidade.

Essa superficialidade é muito observável nos tradicionalistas mais exaltados que não aceitam, sequer, que nossos sacerdotes participem de atos ecumênicos, que se aproximem das seitas. Não há como lançar as redes sem estar próximo aos peixes.

Sem contar que a abordagem dos debatedores e pessoas que gostam de discussões acaloradas, se achando a última bolacha recheada do pacote da Sã Doutrina tanto é errada que os verdadeiros e mais numerosos frutos são conseguidos pela Santa Igreja Católica, aplicando o CVII e trazendo para a comunhão dos santos os anglicanos, ortodoxos e alguns de confissão luterana. Aqueles que seguem a pentecostalismos, neopentecostalismos, e teologia da prosperidade já, há muito tempo, abdicaram da racionalidade, não tendo, sequer, critérios para se chegar à verdade. Essas pessoas devem ser destinatárias de nossas orações e não de nossa discussão.

Evidente que há os que atacam a Igreja e nós devemos agir em defesa da Igreja, mas se quiser fazer isso, faça de maneira correta: processe os hereges falastrões e exija direito de resposta, exija um desagravo.

Concluindo, as pessoas estão exercendo as próprias razões, em arrepio ao CVII e, quando tudo dá errado, a culpa é sempre do CVII.
Compartilhar:

0 comentários:

Postar um comentário