20130412

Ecumenismo Segundo a Igreja Católica Segunda Parte

Terminando o artigo sobre o Ecumenismo segundo o CVII, passemos a analisar o texto do Decreto Unitatis Redintegratio.


A carta abre a discussão colocando, logo de cara, o dedo na ferida protestante: “as placarias”. Aponta que todos se dizem verdadeiros sequazes de Cristo, mas na hora de mostrar qual o caminho para chegar a Cristo, cada um deles aponta um caminho, uma prática, alguns dizendo que devemos dar dinheiro para a empresa, digo, seita, outros dizendo que tem que viver de maneira santa, mas eventuais pecados Deus perdoa, outros ainda dizendo que Deus perdoa tudo, por isso não faz sentido se esforçar em viver santamente, porque o sacrifício de Cristo basta para salvar toda humanidade, bastando dizer que crê em Cristo. Esse último ramo que parece ser bizarro, na verdade é o que mais fielmente mostra o que é o protestantismo, uma vez que Lutero, o heresiarca, disse com todas as letras: “pecca fortiter sed fortius fide et gaude in Christo”, ou seja: Peca fortemente, mas creia mais fortemente ainda e se alegre em Cristo.


Cristo não está dividido, Cristo abomina frontalmente as divisões. Paulo recomenda, para que todos os cristãos estejam de pleno acordo em tudo. Isso não é para não haver brigas e desentendimento, isso é na questão doutrinária e dogmática mesmo.


Sem apegar muito a análise meticulosa todo o texto, extrairemos uma suma com algumas citações, uma vez que não há espaço para um tratado, ou um texto de várias laudas para tratar do assunto.
Direto ao ponto, o conceito de ecumenismo para a Igreja é que todos os cristãos se convertam à Igreja de Cristo, à verdadeira e se salvem. Não existe Salvação fora da Igreja Católica e, se existisse, seria inútil a Igreja existir.


Essa vocação centralizadora da Igreja se expressa por este trecho que é uma chave de interpretação para todo o texto:
“Para estabelecer esta Sua Igreja santa em todo mundo até à consumação dos séculos, Cristo outorgou ao colégio dos doze o ofício de ensinar, governar e santificar. Dentre eles, escolheu Pedro, sobre quem, após a profissão de fé, decidiu edificar a Sua Igreja. A ele prometeu as chaves do reino dos céus e, depois da profissão do seu amor, confiou-lhe a tarefa de confirmar todas as ovelhas na fé e de apascentá-las em perfeita unidade, permanecendo eternamente o próprio Cristo Jesus como pedra angular fundamental e pastor de nossas almas.”


Dessa forma, o ecumenismo não é a Igreja se curvar, cedendo, ou tentando se igualar às placarias, mas, pelo contrário, um caminho de ascensão, em que os separados sobem alguns degraus para chegar à Igreja Verdadeira.


O trecho que coloca bem claro que fora da Igreja não existe Salvação, sem contar outros documentos que trazem isso até mais explícito, é o que segue:
“Por isso, as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.”


Outro ponto que merece ser mencionado é o desejo de que todos, realmente, se convertam. Uma das últimas passagens do documento tem o seguinte conteúdo:
“Além disso, declara estar consciente de que o santo propósito de reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e a capacidade humana. Por isso, coloca inteiramente a sua esperança na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para conosco e na virtude do Espírito Santo.”


Assim sendo, pode-se dizer que se um protestante se salva, em primeiro lugar, para isso acontecer, deverá haver uma conversão “post mortem” porque nada que não seja católico não pode entrar no Reino de Deus, em segundo lugar, se isso acontece, não é por causa da doutrina herética que o separado segue, mas por causa das missas celebradas, dos sangues dos mártires, dos méritos de Nossa Mão Santíssima. Só Cristo Salva! Você pode me dizer, mas eu respondo que esse Cristo que salva não é só uma cabeça, mas ele tem um corpo, corpo coberto por uma veste inconsútil, como sinal dessa unidade e plenitude da graça.


Não creiam que a Igreja está se rebaixando ao nível das seitas. Isso não é verdade. Qualquer atitude de proximidade com as seitas deve ter em vista que a Igreja quer que as seitas se convertam para a Igreja Católica, porque eles também precisam receber o anúncio do Evangelho. O que passa disso está contrário ao que ensina a Igreja, contrário ao que ensina o CVII, contrário à Tradição. No entanto, temos que ter cuidado com o “zelo superficial ou imprudente que possa prejudicar o verdadeiro progresso da unidade”, porque não devemos tratar os separados como inimigos, mas como o povo a receber o anúncio da Boa Notícia, de maneira plena.


O próximo artigo eu vou tratar de alguns assuntos que atrapalham a verdadeira unidade e, esse assunto, com certeza gerará polêmica e até desconforto em alguns “católicos xiitas”.

Por: Carlos André Perin
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