20130504

Adoração – Conceito absoluto, rigoroso, que começa e termina em Deus

Infelizmente, muitos católicos se deixam intimidar pelo brado barulhento dos protestantes e acabam se olhando a si mesmos e vendo algumas práticas devocionais como exageros, como excessos.


Outras pessoas acabam concordando que há exageros na piedade popular e, mesmo católicas, passam a fazer coro com os protestantes, acusando as práticas milenares da Igreja Católica de anti-cristãs, apóstatas, pagãs e coisas do tipo. Há, ainda, casos mais extremos de escândalo tão vergonhoso que as pessoas acabam abandonando o corpo místico cuja cabeça é o próprio Cristo e tomando parte de seitas que são incapazes de salvar. Se Igreja não salva ninguém, só se for a sua porque a minha não serve para outra coisa, inclusive essas práticas católicas de se ajoelhar diante de imagens, ter iconografia em casa, carregar consigo insígnias de sua fé, só ajudam na Salvação.

O título desse artigo é a ideia central e, ao mesmo tempo, a conclusão do artigo, sendo que este texto se presta apenas para explicar melhor os termos ali usados.

Preliminarmente, assevere-se que o culto devido aos santos e a Maria Santíssima é, verdadeiramente devido, de modo que se nos recusarmos a prestar esses cultos de veneração, pecamos.

A adoração é um conceito absoluto, ou seja, não admite flexão, não admite intensidade, não admite matizes, ou você adora, ou não adora. Trazendo isso para a realidade da prática devocional católica abonada pelo passar dos milênios e questionada apenas por hereges que não querem melhorar a Igreja, mas destruí-la, temos o seguinte:

Eu não consigo amar perfeitamente. Eu não consigo amar minha filha perfeitamente, amar minha família perfeitamente, eu sou imperfeito e amo imperfeitamente. Isso me autoriza dizer que eu posso buscar o amor o quanto mais e, ao mesmo tempo em que eu nunca chegue à perfeição do amor, eu sempre posso amar mais. Se eu posso buscar esse amor cada vez mais perfeito, cada vez mais pleno e cada vez mais intenso com relação à minha família, com relação às pessoas que trabalham comigo, por que não posso buscar um amor cada vez maior, cada vez mais perfeito e intenso por Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe? Por Santo Antônio, meu venerado padroeiro?

Importa diferenciar a crença na intercessão dos santos, na comunhão dos santos e a veneração de suas memórias. Nós prestamos o culto devido aos santos (se não prestarmos estaremos em débito) e cremos que eles apresentam nossos pedidos junto com seus méritos diante de Deus para que nós consigamos alguma coisa que não seríamos capazes de conseguir sozinhos. Essa crença encontra suas raízes na prática dos primeiros séculos, na tradição judaica e na legítima Tradição Apostólica. Estamos falando apenas do nosso amor, culto, prestação de honra e rememoração dos feitos heroicos de nossos santos.

Assim sendo, por mais que eu me esforce em amar Maria Santíssima, por mais que eu me dedique em dizer o quanto eu amo São Francisco, Santo Antônio, São Vicente Pallotti, e por mais que eu me esforce em demonstrar o meu amor e justo reconhecimento a esses vultos históricos do cristianismo, eu nunca vou fazê-lo de maneira perfeita, por isso que eu posso e devo buscar honrar os meus heróis o quanto mais possível.

Agora vem a pergunta: Será que é possível, materialmente, prestar adoração a alguém que não a Deus?

A adoração é o culto devido a Deus e prestado a Deus. Se prestarmos esse culto a uma criatura, ou coisa, então nós estaríamos praticando a idolatria e não a adoração, por isso que eu disse que a adoração começa e termina em Deus.

A adoração é um conceito rigoroso e absoluto, de modo que não se admite novas interpretações sobre o que seja. A adoração é o culto devido a Deus, pelo qual Ele nos diz: “de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt.6,5).

Em Mt.22,37 Jesus apresenta esse mandamento como o maior de todos, segundo o qual nós teríamos por Deus um temor filial, mas que exclui o temor servil. Nós amamos a Deus como Criador de todas as coisas, como Pai amabilíssimo, como Deus onipotente. Por isso que a verdadeira adoração é em Espírito e Verdade, ou seja, não é necessário que se vá ao templo, nem que se esteja no Monte Santo, mas uma conduta interna, em Espírito (porque o Espírito é o iniciador de toda a Revelação) e Verdade (porque Cristo é a Verdade e devemos adorar a Deus segundo os preceitos de Cristo). Isso deixa claro também a adoração ao Deus Trindade: Ao Pai, no Filho, em comunhão com o Espírito Santo.

Dessa forma, o culto devido a Deus, se prestado a uma criatura, exclui necessariamente o culto ao Deus Verdadeiro, não podendo coexistir o culto a um Deus Verdadeiro e a um deus falso.

Isso fica evidente quando invocamos o caráter absoluto da adoração: Se adoramos a Maria Santíssima, nossa mãe amada, mas temos consciência de que ela é criatura, então o que sentimos pelo Criador? Se nós adoramos Maria, o que sentiríamos por Deus Pai, seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo? Nós sabemos que o Deus Trindade é maior que Maria Santíssima e o que nela se fez foi dom de Deus, como conciliar a adoração a Maria, criatura com a adoração a um Deus Criador? Se nós adoramos Maria então adoramos mais ainda a Deus? Adoração é um conceito absoluto, ou se adora ou não se adora, porque se não adorarmos a Deus de todo coração, de toda a alma e com todas as forças, em Espírito e Verdade, então isso não é adoração.

Por isso é inconciliável aceitar que adoremos a Maria Santíssima, ou a um santo qualquer, porque nós devemos, sim, buscar amá-los cada vez mais, cada vez com mais perfeição, porque nosso amor é imperfeito e, por isso mesmo, pode sempre ser melhorado e tornado mais intenso.

No entanto, nunca amaremos a Maria Santíssima como Criadora, nunca amaremos a Santo Antônio, meu venerado padroeiro como Deus, nem a São Vicente Pallotti como Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro.

Então, todos nós, devemos amar cada vez mais a todos, nossos irmãos, colegas, amigos, familiares, até aos que não fazem parte de nossa religião e aos que nos atacam, amar cada vez mais. Devemos também amar cada vez mais os nossos venerados santos, Maria Santíssima, porque nosso amor é imperfeito e sempre pode ser melhorado, porque nunca os amaremos como se deve e nunca os amaremos como Deus, porque sabemos que não são deuses, mas exemplos, pessoas que nos precederam, lutaram e receberam a palma da vitória, as vestes brancas.

Finalmente, devemos adorar, cada vez mais perfeitamente a Deus Pai, no Filho, em comunhão com o Espírito Santo, porque a Trindade é Deus e como Deus deve ser adorada, cônscios de que por mais que amemos a Maria, aos nossos padroeiros e aos santos de nossa devoção, jamais prestaremos a Eles o culto devido à Trindade Santa, porque o culto devido à Trindade prestamos à Ela mesma e não aos Santos.
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