20130515

O CULTO AO HOMEM Segundo o Concílio Vaticano II

Uma acusação recorrente contra o CVII é colocar o ser humano no centro do culto, retirando-se Deus como objeto de louvor e passando a louvar ao homem.


Em primeiro lugar, essa concorrência de serviço ao homem, de louvor ao homem, de valorização do homem, cada vez mais perfeitamente, mais intensamente, mais plenamente e o serviço, adoração, e culto a Deus não faz com que o segundo seja ofuscado pelo primeiro. Conto aqui a mesma história da Lua ofuscando o Sol. Não dá para a Lua ofuscar o brilho do Sol porque todo o brilho da Lua vem do Sol e toda glória do homem vem de Deus (primeiro ponto).

Em seguida é importante mencionar que o Culto ao homem tem um significado que o Magistério já contextualizou, já explicou e muita gente não quer entender. Para a análise no texto conciliar e esquece tudo o que veio depois. Isso não é tendencioso, isso é má-fé. Nós sabemos que o Espírito Santo possui a característica de deidade (não apenas divindade, mas deidade) não por causa do texto conciliar de Constantinopla, mas por causa do rio de tinta que verteu após o Concílio constantinopolitano explicando aquele texto toscamente escrito (segundo ponto).

Em seguida, tirar o homem do posto de culto, abolir o culto ao homem, então cairemos no protestantismo, no “sola Deo gratia” e devemos jogar fora nossas imagens de nossos venerados santos, toda hagiografia escrita fora do cânon bíblico, adotando o sola scriptura também. Nosso culto aos santos, a Maria Santíssima, nossos mártires e tutores decorre dessa questão, decorre do culto ao homem e sem ela não pode existir (terceiro ponto).

Terminada a parte de exposição de ideias, eu gostaria de começar a parte de fundamentação com uma citação bíblica:

Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito (2Co.1,21-22).

O culto a Deus se revela por obras de serviço, mas não o serviço a Deus, mas aos homens (Mt.25,35-40). A Igreja sempre foi pioneira em serviço aos homens, desde o anúncio do Evangelho e celebração dos sacramentos que é sua atividade precípua e, acredite, os papas sempre chamam os bispos e padres a terem foco nisso, aliás, é dessa função precípua da Igreja que nasce o culto ao homem:

69 Com a sua doutrina social a Igreja «se propõe assistir o homem no caminho da salvação»: trata-se do seu fim precípuo e único. Não há outros objetivos tendentes a sub-rogar ou invadir atribuições de outrem, negligenciando as próprias; ou a perseguir objetivos alheios à sua missão. Tal missão configura o direito e juntamente o dever da Igreja de elaborar uma doutrina social própria e com ela exercer influxo sobre a sociedade e as suas estruturas, mediante as responsabilidades e as tarefas que esta doutrina suscita (Compêndio da Doutrina Social da Igreja).

Aliás, esse é o verdadeiro culto ao homem: “assistir o homem no caminho da Salvação”. Não se pretende que o homem tome o lugar de Deus, que se crie um antropocentrismo, pelo menos não no campo do culto, mas no campo do serviço. A Igreja ao pregar o culto ao homem, o verdadeiro culto ao homem, afasta a ideia de ambientalismo de ódio ao ser humano, aquele que diz que “o mundo é belo, mas sofre de uma doença chamada homem” (Nietzsche) e coloca o progresso da humanidade, tanto no campo técnico-científico, quanto no campo espiritual como uma meta a ser alcançada. Isso não é se imiscuir em assuntos que não é de sua alçada, pelo contrário, “aquele que pode fazer o bem e não faz, peca” (Tg.4,17). A Igreja é sábia, especialista em humanidade e pode dar grande ajuda, tanto no campo espiritual, quanto no campo assistencial e científico também.

O verdadeiro culto ao homem, o culto ao homem que o CVII prega é pegar o homem e ensiná-lo o caminho da Salvação, não como o culto do homem pregado pelos humanistas, porque coloca Deus como mais importante, como meta, como exemplo (Cristo). No entanto, é necessário valorizar o ser humano. A Igreja valoriza o ser humano na Humanae Vitae, na doutrina social, quando diz que não aceita uniões homossexuais e relações que atentam contra à dignidade humana. Aliás, prega que a dignidade do ser humano é valor irrenunciável por causa dessa característica. O Ser humano não é salvo apenas por causa dessa característica, de ter uma centelha divina, o ser humano é salvo quando celebra os sacramentos, ouve e crê no anúncio do Evangelho (Mc.16,16).

O verdadeiro culto ao homem é dizer que ele possui uma centelha divina em si que é justamente a própria alma. Pode-se chamar de penhor do espírito, semente, centelha, virtude que opera em nós... Independente o nome que se dê a isso é esse elemento de Deus no homem que faz com que o homem seja valorizado, cultuado, não com adoração, mas com serviço, que faz com que os interesses do ser humano sejam colocados acima dos interesses dos demais seres vivos, porque eles não possuem alma, nós possuímos. Por isso que o verdadeiro cristão não pode ser um ambientalista, mas lutar para que a Criação de Deus seja preservada, não porque as outras formas de vidas têm prioridade sobre o ser humano e esse tem sofrer para preservar a natureza, mas para que a preservação da natureza tem implicações na vida do ser humano. No ser humano deve começar e terminar toda atividade nesse sentido. Isso é ecologia humana. Por causa do culto ao homem, expresso nessa ecologia humana, que a Igreja, também, é contra o aborto, infanticídio e muitas injustiças.

Com essas referências, cumpro também a fundamentação sobre o as explicações posteriores do CVII que, não obstante não façam parte dos documentos conciliares, devem integrar de forma harmônica esses textos, assim como os textos conciliares integrarem de forma harmônica com a Tradição e não haver outra forma possível de interpretar os textos conciliares que não pela harmonização com a Tradição.

Uma regra interessante. Se for norma de moral e fé, então é imutável. Se uma norma de moral e fé, proclamada como infalível, contraria os textos conciliares, então pode-se condenar o texto conciliar. Um exemplo disso é o que eu disse em texto pretérito sobre a “igreja é um sacramento”. Não, a Igreja não é um sacramento. O termo sacramento deve ser interpretado de maneira metafórica, porque sacramentos são sete e nenhum mais pode ser incluído. No entanto, não sendo norma de moral e fé, mas apenas normas administrativas (missa em latim e vernacular), medidas que se justificam pelo momento histórico (proibição de leigos e clérigos participarem de atos ecumênicos) e disciplinares, pastorais, dentre outras, deve-se aplicar o CVII.

Fechando o raciocínio, interessante observar que o culto ao homem causa nos ultra conservadores, desobedientes, cismáticos e, por isso, em situação de pecado grave que não os autoriza a participar dos sacramentos e, em certo ponto, até excomungados, a mesma reação que o culto a Maria Santíssima, aos santos e anjos provoca nos protestantes é a prova mais exemplar de que esses leigos que se acham melhores que o papa, esses leigos que fazem tanto mal à Igreja quanto os relativistas, modernistas e outros tipos de hereges, prova que esses leigos a serviço do Inimigo, essa fumaça de Satanás penetrando na Igreja, não são Igreja.

O que diferencia os católicos das outras doutrinas chamadas cristãs, dos protestantes, dos hereges, dos não católicos é justamente a submissão ao papa, postura de obediência perante o clero e aceitação do Magistério da Igreja como legítimo. Se não aceitamos essas três coisas: O Papa, o Magistério e a submissão ao clero, então não somos católicos, mas uma forma de herege, uma espécie de cismáticos excomungados late sententiae.

Mas e se o Bispo falhar? Mas e se o padre falhar. Em primeiro lugar, se um padre falar para os fiéis aparecerem vestidos de palhaço na missa, então o leigo tem a obrigação de desobedecer, mas quem vai corrigir, admoestar e interpelar o clérigo faltoso é o respectivo superior hierárquico.
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