20130731

O Papa Francisco e os homossexuais


O PAPA FRANCISCO E OS HOMOSSEXUAIS: NADA DE "NOVO"!

Recentemente, quando retornava da JMJ Rio 2013, o Papa Francisco, em uma entrevista, tocou no assunto sobre os homossexuais. Suas palavras entusiasmaram muitos líderes de movimentos LGBT, bem como foi recebida e publicada de maneira sensacionalista pela mídia. Mas, o que realmente disse o Papa Francisco? Há algum sopro de vento de mudança doutrinal nos quadros da Igreja Católica? Analisemos com cautela as palavras de Sua Santidade.



Na entrevista, foram feitos vários questionamentos, entre eles, o seguinte: “O que o senhor pretende fazer em relação ao monsenhor Ricca e como o senhor pretende enfrentar toda esta questão do lobby gay?”. 



Repare o leitor que o questionamento da jornalista foi, de fato, um questionamento sério, sobre algo que supostamente ocorreu no Vaticano, ao que, com seriedade, o Santo Padre assim se colocou:
“Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não há nada do que o acusam. Não achamos nada. É a minha resposta. Mas quero acrescentar uma coisa a mais sobre isso. Tenho visto que, muitas vezes na Igreja, se buscam os pecados de juventude, por exemplo. E se publica. Abuso de menores é diferente. Mas, se uma pessoa, seja laica ou padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o Senhor perdoa, o Senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o Senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo. O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em Papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada. Vocês vêm muita coisa escrita sobre o lobby gay . Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo que é gay. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim, devemos distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, o lobby dos nações, tantos lobbys. Esse é o pior problema.”

Muito bem, vendo como as coisas de fato ocorreram, analisemos a resposta do Santo Padre. É de se notar que, ao falar do monsenhor Ricca, o qual teria, supostamente, tido um caso com um capitão da guarda suíça anos atrás, o Papa Francisco diz claramente: “[...] Tenho visto que, muitas vezes na Igreja, se buscam os pecados de juventude, por exemplo. E se publica [...]”. O Papa segue, falando da misericórdia de Deus em perdoar e esquecer nossos pecados, quando nos arrependemos. O que disse o Papa, então? Que o monsenhor Ricca, caso haja praticado há anos atrás atos homossexuais, pecou!? Sim! As palavras do papa são muito claras nesse sentido. Houve o pecado, mas se houve o arrependimento, Deus perdoa, pois é misericordioso! 

Logo depois, o Papa faz a colocação que teria causado tanta balbúrdia nos meios de comunicação: [...] Se uma pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. [...]”.

A questão que se coloca, então, é: o que há de novo em relação à doutrina oficial da Igreja Católica!? A resposta é muito simples: nada! O maior problema dos anticlericais é não se darem ao trabalho de conhecer o que realmente ensina aquela a quem eles tomaram por inimiga, isto é, a Igreja! Quem acha que houve um “avanço” na colocação do Papa é porque, de fato, JAMAIS leu o que diz o Catecismo da Igreja sobre o homossexualismo. Aliás, o próprio Papa disse que o “[...]catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem [...]”. Então, o que diz o Catecismo da Igreja? Vejamos os §§ 2357 a 2359:

“A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.”
Percebe-se, então, que o Papa disse o que a Igreja sempre disse e já definiu de maneira irrevogável: o mero “ser” (em sentido verbal) homossexual, apresentar essa tendência, pode não ser pecado... Mas é pecado, sim, ensina a Igreja, a prática de atos homossexuais! O homossexual que guarda a castidade, não está pecando em sua carne! Daquele que se entrega à sodomia, não se pode dizer o mesmo! A Igreja ama e acolhe o pecador (e assim deve ser), mas rejeita seu pecado, e o exorta para que não cesse de buscar a santidade! 

Essa colocação da Igreja é inalterável, pois se Deus é eterno e perfeito, é imutável, e consequentemente, o que o ofende, também é imutável, caso contrário Deus haveria mudado e, assim, não seria perfeito! 

O Papa Francisco leva a sério as posições doutrinais, de fé e moral, que são imutáveis, já adotadas pela Igreja Católica! Não fosse assim, na mesma entrevista, quando surgiu o questionamento sobre o que ele pensava sobre a ordenação de mulheres, ele não haveria respondido: “[...] Sobre a ordenação, a Igreja já falou e disse que não. João Paulo II disse com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada [...]”.

Para encerrar, é válido dizer que um católico verdadeiro vê com alegria as colocações do Santo Padre sobre os homossexuais, pois se firmou na esteira do já afirmado por seus antecessores. O Papa Francisco não é nenhum "revolucionário”, e como já o disse o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., se ele é algo dentro da Igreja, ele o é enquanto o 266º Papa da História da Igreja Católica! O Papa Francisco não trairia a doutrina da Igreja, não se colocaria contra ela, pois como já afirmado pela equipe christo nihil praeponere, o Papa é Sucessor de São Pedro, e não de Judas Iscariotes!

Sem mais para o momento,

Por:Diego Galvão de Melo.

Fontes:
2 – Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000, p. 610 e 611. Grifos (negrito e sublinhado) nossos.
Compartilhar:

0 comentários:

Postar um comentário