20130909

Série RCC I: Oração em Línguas

O que é a Oração Em Línguas?

É o uso ou o dom de línguas desconhecidas, jamais estudadas e sequer ouvidas durante o advento das orações comunitárias ou pessoais. Quem a profere, emprega a união dos sons sem compreender um real sentido, sentindo-se envolvido por uma esfera misteriosa de alegria e de paz. Quando realizada com naturalidade é causadora de uma sinergia poderosa. Há pessoas que salientam que isso pode acontecer quando as palavras faltam a boca, invadem nossa alma e dão caminho a uma oração mais profunda e com o intuito de um contato imediatista com o divino.

Um sacerdote francês, Jean Lafrance, morto em 1991, autor de vários textos religiosos, diz que a oração é emanada do mais profundo do nosso ser como uma espécie de "grito espiritual", e alega também que "Jesus revela-nos o verdadeiro objetivo da nossa oração, que é a efusão do Espírito Santo no coração de cada um". Como diz S. Paulo na 1ª Carta aos Coríntios 14,2 "aquele que fala em línguas, não fala aos homens, mas fala a Deus: ninguém de fato entende, pois no Espírito diz coisas misteriosas", e acrescenta posteriormente em 14, 4 "quem fala em línguas edifica-se a si mesmo".

Contudo devemos analisar que através de alguns dos apontamentos do Pe. Paulo Ricardo, devemos considerar que a Oração Em Línguas:
I. É diferente do fenômeno ocorrido com os Apóstolos em Pentecostes, na qual ouve pleno entendimento do que foi dito.
II. Não é um fenômeno de cunho milagroso.
III. É a oração que São Paulo aborda em I Coríntios, 14.
IV. É um dom afeito de carisma.
V. É uma oração feita com palavras que se desconhece entendimento e/ou não existem de fato.

A Ótica da Bíblia

Devemos compreender que a oração em línguas é um fenômeno com autenticidade, que é reconhecido por tradicionalistas e católicos carismáticos. Também levamos em consideração as passagens da bíblia em que tal situação é utilizada nos momentos de ecumenismo, que vive além de I Coríntios 14, ele cita um trecho da Carta de São Paulo aos Romanos 8, 26:
“…o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nem sabemos o que nos convém pedir; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.”

Neste momento deve pairar o bom senso em suas cabeças e saber que boa parte dos grupos criados para determinado tipo de oração, vai a contra senso das orientações de São Paulo, pois afinal, o apóstolo em questão diz que, numa assembleia, se todos começarem a orar em línguas de forma simultânea, vão dar a impressão de um ato de loucura, e de fato, provavelmente, ninguém será ajudado com tamanho disparate.

A Ótica Tradicional da Igreja

Aqui é onde a coisa vai ser dissolvida de forma categórica. Pois os textos de tradição não fazem uma argumentação referente ao assunto da forma que a RCC costuma ensinar. Oração em Línguas, não é, nem pode se confundir com a glossolalia, advinda da glossologia, que é um fenômeno em que uma pessoa que desconhece os idiomas, começa a falar utilizando-se o conhecimento dos mesmos, sem sequer os compreender de fato. Os primeiros padres que passaram estas situações estranhas e desconexas, estariam assim devido a um momento de êxtase. Dizem que entre os escolhidos nesta benção estão Santo Irineu (séc. II), Eusébio de Cesareia e Orígenes (séc. III).

Portanto, acredito que estaríamos nos enveredando para um grande ponto de controvérsia, na tangente dos questionamentos práticos e coesos: Se durante a oração não é utilizado idiomas estrangeiros, sejam os vivos ou os mortos, estaríamos falando de sílabas desconexas, sem qualquer compreensão fática, tão logo seria um advento primitivo e causa uma desaprovação por grande parte dos padres ou até mesmo sequer consideram o feito como um fenômeno genuíno.

A Minha Ótica

A oração em línguas é de fato, uma realidade que não devemos negar, pois está atestado na vida de vários santos, mesmo sabendo que há quem acolha um posicionamento que a Oração em Línguas é apenas uma interpretação íntima da Bíblia, que não é confirmada como a interpretação de Santos, Teólogos e Papas. Cito o Pe. Paulo Ricardo que em determinado assunto, cita uma situação em que leu um depoimento de um Frei, dizendo que havia visto São Francisco de Assis fazendo o chilrear de uns pássaros e não exatamente a fala de um idioma estrangeiro, causando ainda mais certo efeito raso para qualquer tipo de fortalecimento deste fenômeno para o seio da sociedade católica.

Devo dizer que, conforme você faz a análise vivida do fenômeno, percebe-se, seja de forma sútil ou não, certo abraço da histeria, que não condiz com as manifestações humanas que se centram pelas entranhas divinas, pois, quando estamos diante de um non-sense coletivo, dificilmente o nosso criador estará de forma plena e até mesmo coadunando com tal postura.

Quando nós não temos certeza e nos falta recursos, sejam bíblicos ou tradicionalistas, nem no Magistério você encontra um apanhado favorável, quais são as reais razões para você dar o pleno crédito? Acho que não se trata de crítica gratuita e sim que tal assunto criticado merece devido aperfeiçoamento para que seja revisto pela Santa Sé e seus seguidores.


Por: Leon Bravo

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Um comentário:

  1. Parabens pela exposição, há um documento da CNBB que fala sobre o uso do dom de linguas, contudo, eu vejo que ele não está sendo respeitado, as vezes acredio que as pessoas estão brincando com o dom do Paráclito.

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