20131114

Memórias de um ex-apostata II

A primeira comunhão...

Eu já havia dito para o meu pai tudo que eu tinha a dizer sobre a catequese, que para mim além de ter sido entediante, me serviu para estabelecer a primeira preocupação real sobre o que eu aprendia sobre assuntos verdadeiramente legítimos, nada que parecesse mera abobrinha.

Do dia que eu havia iniciado a catequese até a primeira comunhão não absorvi tanto quanto eu poderia ter gostado, mas não sabia qual era o melhor caminho. O meu velho sabia que eu tinha que conhecer as coisas para poder compreender se valeria a pena seguir a religião católica ou não. Ele estava apreensivo, mas era melhor que fosse assim.

No dia que antecedeu a primeira comunhão o meu pai em quinze minutos, resumiu o que a professora de catequese não havia feito em 4 encontros com o grupo. Meu pai disse: Isso é a eucaristia, um dos sacramentos, você está apto a receber o corpo de cristo, ofertado na cruz como forma da humanidade se remir de tudo que já foi feito até então no mundo. É uma forma simbólica do rito em sacramento e sacrifício.

Eu achei muito maneiro. Apesar do meu pai durante muito tempo não falar muito sobre a fé e a religião, pois ele não queria que eu fosse levado por opiniões de terceiros, ele queria que posteriormente eu fosse levado pela minha própria fé. E dessa forma eu fui aproveitando, apesar desses detalhes, do catecismo. Infelizmente fiquei sabendo que nos dias atuais o problema de faltar pessoas aptas para ensinar o catecismo continua causando dificuldades aos jovens de compreender tudo que se passa no estudo da liturgia e dos meandros católicos.

Quando chegou à minha vez, eu e os garotos, que conhecíamos o padre de tempos, pois ele jogava futebol fora do período ecumênico, sempre falou daquela data e ele parecia muito feliz. Sem contar com a proximidade do altar, que eu nunca havia pensado em estar tão perto. Era legal, dava uma sensação de conforto incrível. Eu me sentia leve mesmo eu não tendo sido um garoto tão leve fisicamente... No final das contas foi um dos momentos que me fizeram retornar ao catolicismo.

Tudo que eu passei até aquele momento tinha que ter sido relativizado, porque, ainda que não fosse pleno o meu conhecimento, estes pequenos momentos da religiosidade, afeitos para jovens e causando uma sensação devastadora de positividade só poderiam acontecer quando as pessoas pudessem perceber o quão especial a fé pode se tornar quando é percebido uma experiência coletiva que faz a união e o elo com a santíssima trindade.

Por: Leon Bravo 
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