20131120

Memórias de um Ex-Apostata III

Não tenha dúvidas.
Bom, chegou o dia da formatura da turma da catequese. Era óbvio que eu não estava satisfeito, mas ainda assim, por questões familiares e por respeito ao meu pai, fiz até o final. 
No último domingo, eu pensei comigo mesmo que eu ia procurar fazer uma extensa pesquisa sobre fé e religião, já que eu estava me preparando para estudar esses assuntos. Foi uma cerimônia bela e agradável para todos.
Logo que tudo acabou, meu pai deixou todo mundo em casa e demos uma saída. Ele chegou e falou comigo: Olha, você não precisa ser católico se você não compreendeu nada, então acho que você deveria fazer como eu fiz – estudar e conhecer tudo que está ao seu redor sem que ninguém coloque nada para desvirtuar. Meu pai me deu três livros para iniciar meus estudos: 
Achava ser importante eu conhecer. 
Meu velho falou: A bíblia você deve ler com parcimônia, leia devagar e sem pressa. Saiba que todo conteúdo que você tiver questionamentos, irei lhe ajudar a compreender. O Príncipe eu já conhecia algumas coisas pois pelo fato do meu pai ser professor de filosofia, era um livro que ele já tinha total domínio e o Tokarev tinha um conteúdo autoexplicativo por sí.
O primeiro foi – A História das Religiões, do russo Sergei Tokarev. O segundo foi uma versão da bíblia antiguíssima, daqueles livros tão velhos, que dá nervoso pela aspereza das páginas e o terceiro, por escolha minha: O Príncipe, de Maquiável. Já dava para perceber que eu era bem diferente dos demais da família, pois eu gostava de pesquisar tudo que meu pai a tratar de uma quase enciclopédia.
No primeiro dia, eu consegui finalizar o primeiro livro do Pentateuco: O Gênesis. Havia um tom mágico e contemplador da criação de tudo, mas a primeira pergunta que fiz ao meu pai foi porque ele havia me dado uma bíblia antiga. Ele comentou que as bíblias atualizadas não são tão plenas em suas traduções e correções e a modificação de alguns sinônimos poderiam divergir da real ideia dos textos bíblicos. Ele falou que a estrutura do Gênesis era algo poderoso, pois muito se explicava ainda que de forma que beirasse a incredulidade, tudo aquilo era possível, pois mesmo com o advento da ciência, do nada o todo surgiu. 
Por: Leon Bravo
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3 comentários:

  1. Acompanhando...
    A, e qual era a edição da bíblia, lembra?

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    Respostas
    1. Era uma edição antiga de 1842, que meu pai tinha, porque ele chegou a iniciar o curso de seminarista e ele ganhou de um tio na época. Era traduzida da vulgata latina. Antônio Pereira de Figueiredo era seu tradutor se não me falha a memória.

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  2. Rapaz, edição de respeito então

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