20140108

A América Latina é a Terra-Média!

Está nos cinemas mais uma parte da fenomenal obra de J.R.R. Tolkien: O Hobbit! Nela, será retratado algo muito peculiar na mitologia tolkeniana: o poderoso regresso do mal em decorrência de um comodismo e relaxamento na vigilância por parte das pessoas de bem! Caso você, caro leitor, não tenha lido ou ao menos assistido, no mínimo, O Senhor dos Anéis, pode parar por aqui: pouco ou nada neste artigo fará sentido para sua inteligência!
Como o leitor (que não desistiu deste artigo após a advertência do parágrafo anterior) deve se lembrar, Sauron, o Senhor do Escuro, em O Hobbit retratado como O Necromante, cerca de 2.500 anos antes de Frodo Bolseiro ser gerado, forjou o Um Anel, destinado a dominar todos os demais anéis de poder e, assim, subjugar toda a Terra-Média! Foram momentos verdadeiramente terríveis e, numa Última Aliança, quase que desesperada, Homens e Elfos marcharam e lutaram contra os exércitos do Senhor do Escuro; foi nesta batalha que Isildur, filho de Elendil e herdeiro do trono de Gondor, cortou o Um Anel das mãos de Sauron, que foi derrotado! Com a sobrevivência do Anel, ainda era possível o retorno de Sauron... mas quem liga para um inimigo maléfico quando não pode ser visto claramente e se está sumido por tanto tempo? O relaxamento, o desleixo, a falta de vigilância para com o ladrão que vem quando menos se espera, se abateu por toda a Terra-Média, e quem conhece a saga sabe qual foi o desfecho... Gandalf, em O Hobbit – A Desolação de Smaug (filme), expressa isso muito bem com suas sábias palavras: “Estávamos cegos. E em nossa cegueira, nosso inimigo regressou.” E, diga-se de passagem, regressou praticamente invencível!
Com a derrocada oficial da União Soviética, a qual chamaremos de Mordor (um justo título), o mundo inteiro respirou aliviado: o grande inimigo, o comunismo, sofrera uma derrota fenomenal, e Gandalf, digo, João Paulo II, pronunciou posteriormente uma célebre frase que entrou para os anais dos grandes ditos dos sábios: "Seria simplista dizer que foi a Divina Providência que fez cair o comunismo. Ele caiu sozinho, em consequência dos próprios erros e abusos. Demonstrou ser um remédio mais prejudicial que a própria doença."
Todavia, tal qual na obra tolkeniana, o “Um Anel”, aqui tido por nós como a “ideologia marxista”, sobreviveu: muitos homens, seduzidos por esta ideologia macabra e tentados a usá-la para fazer o bem (se bem que, para o marxismo, “bem” e “mal” se define como aquilo que ajuda a revolução e aquilo que atrapalha a revolução) a promoveram de maneira sorrateira, mas progressiva e eficaz, ao passo que, dos demais, poucos eram os que não tinham o discurso de que “o comunismo não existe mais”, esquecendo-se completamente das declaradas Cuba e China, com mais de um bilhão da população do globo...
Na surdina, o inimigo se reorganizava: em 1990, surge o Foro de São Paulo, criado por Fidel Castro (o Senhor do Escuro da pequena Cuba) e Lula (o Sauron brasileiro que, à semelhança do original, também teve um dedo cortado)! O objetivo do Foro, nas palavras de Fidel, é “reconquistar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu, com a queda do Muro de Berlim e a derrocada da União Soviética”... com efeito, foi aqui, em nosso continente, que o Inimigo planejou reconstruir a Fortaleza de Barad-dûr e, diga-se de passagem, vem obtendo um êxito avassalador. Seus orcs se multiplicaram: basta ver os inúmeros professores marxistas que infestaram nossos colégios, universidades e os jornalistas nos blogs, jornais, rádio e TV, fazendo a cabeça de uma imensa leva de jovens; promovem-se filmes e novelas colocando comunistas como mocinhos, “heróis de um novo amanhã que trará um sol radiante”, quando, na vida real, o resultado de seu sonho de que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, foi o brutal assassinato de mais de 90 milhões de vidas, só no século XX, e isso sem contar os infindáveis e covardes abortos; propaga-se com orgulho a imagem de um assassino, como se fosse a de um Santo popular (sim, refiro-me a Ernesto Che Guevara); seguindo táticas de Lukács, Gramsci, Marcuse e Cia Ltda, propagandeia-se a Cultura da Morte (aborto, eutanásia), o Gaysismo e a total liberdade sexual, no intuito de derrubar uma “moralidade burguesa”; o ódio à religião (especialmente ao Cristianismo) é disseminado em discursos irracionais e verdadeiramente imbecis; hoje, cerca de 16 países da América Latina são governados por membros do Foro de São Paulo, inclusive o nosso; a Revolução Bolivariana, segundo seu promovente, inspirada em ideais de Símon Bolívar, já foi levada a cabo na Venezuela, correndo grave risco de se espalhar! Tempos sombrios nos aguardam... Como diria o Rei Théoden, preparando-se para a Batalha do Abismo de Helm, em As Duas Torres: “Onde estão o cavalo e o cavaleiro? Onde está a trombeta que soava? Os dias de glória escoaram como chuva nas montanhas. Como vento no prado. Os dias resplandecentes se puseram no Oeste, atrás das colinas, dando lugar à Sombra. Como chegou a este ponto?”
Como diz aquele dito popular, chegou a este ponto porque “dormimos no ponto”, ora essa! Mas, ao que percebo, felizmente, há aqueles que estão acordando... não sem levar um baita susto: imagine você, caro leitor, ir dormir numa cama macia com lençóis de seda, travesseiro de penas de ganso, num quarto ventilado, com um enorme janelão aberto que apresenta, acima das montanhas, céu estrelado e lua cheia e, de repente, acordar no meio da madrugada com mãos e pés atados, deitado no chão de uma mata e cercado por alguns brutamontes mal-encarados! Felizmente você percebe que sua boca está livre, ainda pode gritar (ainda) e alertar sobre o perigo a quem por ventura esteja num raio que dê para escutar! É assim que muitos se sentem ao acordar... Sentem a responsabilidade, o fardo de alertar a outros sobre o que está acontecendo, sobre ser necessário, o quanto antes, cada um tomar a firme decisão de destruir, dentro de si, o Um Anel – o marxismo – que tanta desgraça já nos trouxe, mas que ainda assim seduz a muitos. Como Frodo, cada um pode exclamar (sinceramente, não lembro se o disse no livro, pois já há anos o li, mas no filme com certeza): “Eu queria que o Anel nunca tivesse vindo a mim. Queria que nada disso tivesse acontecido.”. Mas a resposta de Gandalf, de fato, consola: “Assim como todos que vivem para ver tempos assim. Mas não cabe a eles decidir. Temos de decidir apenas o que fazer com o tempo que nos é dado. Há outras forças agindo neste mundo, Frodo, além da vontade do mal!”.
Sim, meus amigos, como grande fã de Tolkien, sei que ele detestava alegorias! O Universo criado por ele, com suas obras, não é alegórico, e isso o próprio Tolkien deixa claro no Prefácio de O Senhor dos Anéis. Mas não posso deixar de ver, em seu legado literário, elementos dramáticos que hoje estão presentes na sociedade em que vivemos, e a melhor maneira de enfrentarmos o drama do marxismo, esse “Um Anel para a todos governar; Um Anel para encontrá-los; Um Anel para a todos trazer, e na Escuridão aprisioná-los”, não é outro senão formando uma verdadeira Sociedade do Anel, “The Fellowship of the Ring”, no original em inglês! Não importam nossas diferenças, se somos homens, anões, elfos, magos ou hobbits; importa mesmo nosso objetivo maior: destruir o Anel, restaurar a paz na Terra-Média, conservar nossa cultura e liberdade!
Encerro com as palavras de um diálogo entre Frodo e Sam, no final de As Duas Torres, diálogo esse presente apenas no filme, e não no livro, mas com certeza de uma sensibilidade cativante, que em nós acende a chama da “Estel” (“Esperança”, em élfico) de enfrentarmos e vencermos o grande Dragão Vermelho apocalíptico... Após quase render-se ao poder do Anel e entregá-lo a um dos Cavaleiros Negros, impedido por Samwise Gamgi, Frodo, desconhecendo o amigo, mesmo fitando-o nos olhos, saca sua espada e a aponta em direção à sua face:
“-Sou eu. É o seu Sam! Não reconhece o seu Sam?
-Não consigo fazer isso, Sam!
-Eu sei. Isso não é justo. Na verdade, nem devíamos estar aqui; mas estamos! É como nas grandes histórias, Sr. Frodo. As que tinham mesmo importância, eram repletas de escuridão e perigo. E, às vezes, você não queria saber o fim, porque como podiam ter um final feliz? Como podia o mundo voltar a ser o que era depois de tanto mal? Mas, no fim, é só uma coisa passageira, essa sombra. Até a escuridão tem de passar. Um novo dia virá. E, quando o sol brilhar, brilhará ainda mais forte. Eram essas as histórias que ficavam na lembrança, que significavam algo, mesmo que você fosse pequeno demais para entender por quê. Mas acho, Sr. Frodo, que eu entendo, sim. Agora eu sei. As pessoas dessas histórias tinham várias oportunidades de voltar atrás, mas não voltavam. Elas seguiam em frente, porque tinham em que se agarrar.
-E em que nós nos agarramos, Sam?

-No bem que existe neste mundo, Sr. Frodo, pelo qual vale a pena lutar.”  

Por: Diego Souza Galvão de Melo
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