20140111

A Igreja Católica recivilizando a Europa

O comentarista Cambi (1999) assinala que o movimento monástico era muito comum no tempo de Cristo. Derivado do povo Hebreu, homens e mulheres viviam como eremitas. No oriente destacam-se; Paulo séc III, Santo Antônio Abade (250-356), e Pancômio (282-346). No ocidente destaca-se; Flávio Magno Aurélio o Cassiodoro.
            Segundo Monroe (1988):

            O termo monaquismo, em sua aplicação geral, significa a organização de homens que fizeram votos especiais de vida religiosa e viveram de acordo com as regras que determinam a conduta nos seus menores detalhes. Por essa razão, esses religiosos pertencem ao clero chamado regular em oposição ao clero secular, cujos membros não vivem sob regra especial e passam suas existências em contacto com a vida do povo (MONROE, 1988, p. 102).
           
            Com essas ordens eremitas, orientais de origem, foram abrindo espaço no mundo ocidental, e assim foram se formando os monastérios, verdadeiros internatos religiosos para o bem daqueles que amam o conhecimento (LARROYO, 1974). Bento de Núrsia formou no ocidente um grande número de fieis submetidos a uma série de regras (castidade, obediência e pobreza). São Bento imprimia aos seus fieis, uma vida de dedicação ou opus Dei, liturgia, penitência e vida em comunidade. Sua função se ampliava ao ensino dos filhos dos servos, o que notadamente aumentou seu prestígio, dividindo a instituição em duas partes; uma fechada e outra aberta aos filhos dos trabalhadores menos favorecidos.
Os magister principalis dirigiam as escolas, e os monges vigiavam os alunos, estes monges eram denominados de custodes. O chefe responsável por estes era o abade, denominado de pai. O estudo se dava a partir do latim, literatura, gramática, dialética e retórica. Deve-se ainda aos beneditinos a organização final das sete artes liberais: gramática, dialética, retórica aritmética geometria, astronomia e música. Sem dúvida alguma, a falta que estes estudos clássicos fazem a humanidade é incalculável, lamentavelmente em função dos progressistas e dos marxistas.
            Voltando ao assunto, observa-se que na tradição dos monges, o ideal educacional era como já dito, um ideal disciplinado e organizado. Na figura do copista, uma espécie de continuador das tradições, o ocidente conseguiu preservar grande parte do conhecimento legado a nós. Essa conservação foi inestimável, ou até inigualável. Ademais, o sistema de trocas e intercâmbio de cópias entre ordens religiosas, era além de necessário, fundamental para conservar a herança histórica até aquele momento.
            Os monges foram responsáveis pela preservação de obras clássicas como as de; Platão, Aristóteles, Cícero, Virgílio, Horácio, Ovídio, Salustiano, Terêncio, Sêneca, Varrão, Juvenal, entre outros, bem como a própria preservação da bíblia.

            Com o desenvolvimento da Igreja Católica, a Europa passou a se reestruturar, não só por meio do ensino mais democrático em relação ao período da antiguidade, como também em relação ao estado de direito, as leis e a ordem como já se ressaltou no ensaio “As cruzadas e sua importância na história da Europa”.

Com o Cristianismo, nasce o chamado universalismo educacional, uma “educação para todos”. Nesse sentido, os mais humildes deveriam ser educados. Além disso, com a Idade Média a família adquire ainda mais importância, nela, as crianças recebem suas primeiras informações a respeito da vida e dos homens, sobre lendas e religião.
Para Pernoud (1997), na Idade Média, passando-se da época do indivíduo para a época da família, nota que a Antiguidade é a época das biografias, de Péricles; Alexandre; Sila; Júlio César entre outros. Na Idade Média, observaremos a época das linhagens. Sendo assim, sob o ponto de vista educacional, a família na Idade Média foi determinante para recivilizar o ocidente. Nela, foram gestadas as bases para o desenvolvimento das grandes nações, bem como de suas unidades políticas e religiosas.

Referências

CAMBI, F. História da pedagogia. Tradução: Álvaro Lorencini – São Paulo: Fundação Editora da UNESP (FEU), 1999.

LARROYO, F. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1974.

MONROE, P. História da Educação. Tradução de Idel Becker, 19. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1988.

PERNAUD, R. Luz sobre a Idade Média. Sintra: Europa – América, 1981.



Por:Alessandro Barreta Garcia, site do autor: www.alessandrogarcia.org
Compartilhar:

0 comentários:

Postar um comentário