20140203

A Confissão na Vida do Cristão

Olá irmãos e irmãs em Cristo, nesse meu primeiro comentário, gostaria de escrever sobre um tema muito importante para todos nós: o Sacramento da Penitência ou Confissão. Esse Sacramento está colocado entre os sacramentos de cura, junto com a Unção dos Enfermos, e é muito bom para a nossa saúde espiritual. Mas afinal, o que é a confissão? Qual a sua importância? Quem disse que o homem poderia perdoar os pecados dos outros sendo que ambos estão na mesma condição?
A Sagrada Escritura nos diz que este sacramento foi instituído pelo próprio Jesus Cristo no momento em que Ele mesmo nos diz: “Recebei o Espírito Santo: a quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados, a quem não os perdoardes eles lhe serão retidos.” (Jo 20, 21-23). Nesse momento, os Apóstolos recebem, então, o poder de perdoar em nome de Cristo os pecados dos que estão arrependidos: “o Senhor Jesus Cristo, médico das nossas almas e dos nossos corpos, que perdoou os pecados ao paralítico e lhe restituiu a saúde do corpo, quis que a sua Igreja continuasse, com a força do Espírito Santo, a sua obra de cura e de salvação, mesmo para com os seus próprios membros.” (CIC 1421), pois “... na nossa vida terrena estamos sujeitos ao sofrimento, a doença e a morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado.” (CIC 1420). A condição de pecado nos deixa sujo e afastado da face de Deus. “Quem peca, ofende a honra de Deus e o seu amor, a sua própria dignidade de homem chamado a ser filho de Deus, e o bem-estar espiritual da Igreja, da qual cada fiel deve ser pedra viva.” (CIC 1487) Podemos, então, afirmar que a confissão é importante por que nos cura e nos faz “novas criaturas em Cristo” (2Cor 5, 1-21). Quem nunca teve aquela sensação de bem-estar depois de tomar banho num dia longo e cansativo? A Confissão nos deixa leve e de consciência limpa. E tem coisa melhor? Mas para isso existe uma fórmula prescrita pela Santa Igreja, não é qualquer pessoa que pode realizar este sacramento. Deve ser feita por um padre ou bispo, devidamente ordenado: “Uma vez que Cristo confiou aos Apóstolos o ministério da reconciliação, os bispos, seus sucessores, e os presbíteros, colaboradores dos bispos, continuam a exercer tal ministério. Com efeito, os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” (CIC 1461). Esses são os efeitos espirituais do sacramento da Penitência:
  a reconciliação com Deus, pela qual o penitente recupera a graça;
–  a reconciliação com a Igreja;
–  a remissão da pena eterna, em que incorreu pelos pecados mortais;
–  a remissão, ao menos em parte, das penas temporais, conseqüência do pecado;
–  a paz e a serenidade da consciência e a consolação espiritual;
  o acréscimo das forças espirituais para o combate cristão. (CIC 1496)

Mas... Como realizar uma boa confissão? Bem, vou mostrar aqui algumas dicas para melhorar a sua confissão.
EXAME DE CONSCIÊNCIA: é a parte que o penitente se lembra dos seus pecados e reflete sobre eles. Para um ótimo exame de consciência, pode se refletir sobre as próprias ações em cima dos Mandamentos da Lei e da Igreja. Segue abaixo um esquema mais elaborado sobre um bom exame de consciência.
(http://www.reinodavirgem.com.br/vidacrista/exame-de-consciencia.html)
DOR DE CORAÇÃO OU ARREPENDIMENTO: é o ato de se arrepender de coração. Sempre com a intenção de não pecar mais. O arrependimento sincero é o ápice da confissão. Se não se arrepende do que fez, pra que confessar? Seria um ato desonesto de nossa parte a falta de arrependimento. “Como é bom que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Pois assim se evita um pecado voluntário.” (Ecl 20, 4). Uma boa dica também é rezar o Salmo 51(50), é ideal para isso.
PROPÓSITO: seria uma conclusão do ato de arrependimento onde o penitente faz um propósito de não voltar a cometer aquelas falhas. Deve-se lembrar de que esse propósito é firme e deve ser cumprido.
CONFISSÃO: Após ter feito o exame de consciência, arrependimento e o propósito de não mais pecar, devemos:
a) Aproximar-nos do sacerdote e fazermos a saudação e sinal da cruz;
b) Mencionar o tempo transcorrido desde a última confissão e se cumpriu a penitência;
c) Enunciarmos os pecados mortais, em voz baixa e claramente. A declaração dos pecados ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da penitência: "Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do Decálogo, pois, às vezes, esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos" (CIC 1456). Ao referirmos os pecados mortais na confissão, temos que indicar a espécie de pecados que cometemos e o número de vezes, ou seja, não basta dizer: "pequei contra o segundo mandamento", tem que dizer se foi por blasfêmia, falso juramento, maldição, profanação, etc... Mas não precisa pormenorizar;
d) Nunca mencionemos os pecados dos outros e não digamos nomes;
e) Escutemos atentamente o sacerdote quando nos impõe a penitência, bem como os conselhos que nos possa dar;
f) Escutemos o sacerdote enquanto pronuncia as palavras da absolvição;
PENITÊNCIA E SATISFAÇÃO: consiste em fazer a penitência que o padre instituiu. “A penitência que o confessor impõe deve ter em conta a situação pessoal do penitente e procurar o seu bem espiritual. Deve corresponder, quanto possível, à gravidade e natureza dos pecados cometidos. Podem consistir na oração, num donativo, nas obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e, sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar. Tais penitências ajudam-nos a configurar-nos com Cristo, que, por Si só, expiou os nossos pecados uma vez por todas.” (CIC 1460). Não há nada melhor que se sentir bem. A satisfação e a paz que a confissão nos traz: “Mas esta satisfação, que realizamos pelos nossos pecados, não é possível senão por Jesus Cristo: nós que, por nós próprios, nada podemos, com a ajuda "d'Aquele que nos conforta, podemos tudo". Assim, o homem não tem nada de que se gloriar. Toda a nossa glória está em Cristo [...] em quem nós satisfazemos, "produzindo dignos frutos de penitência", os quais vão haurir n'Ele toda a sua força, por Ele são oferecidos ao Pai, e graças a Ele são aceites pelo Pai.” (CIC 1460, §2).
ATO DE CONTRIÇÃO: “Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos Ter ofendido; pesa-me também de Ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia."


Por: Jairo Evaristo Voges
        Colunista do Portal Catolics Nerds
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