20140621

Filosofia Patrística - São Justino

 Justino foi um Cristão filosofo e filosofo Cristão, pertence àquela plêiade de pensadores que em cada período da história da Igreja tentaram uma síntese da provisória sabedoria humana e das inalteráveis afirmações da revelação Cristã. Homem de grande inquietação espiritual e que ao longo de sua vida buscou sua felicidade no conhecimento de várias corretes filosóficas, ardia no coração deste homem à vontade de encontra uma filosofia que satisfizessem suas inquietações. Encontrou em Platão essa resposta, mas logo percebeu que ainda faltava algo, assim ele descreve: “Senti-me tomado de um grande entusiasmo pelo conhecimento das coisas incorporais e a contemplação das ideias ¹ dava asas ao meu espírito. Comecei logo a ter-me por sábio, e tolo como era, cuidei chegar sem demora a contemplação de Deus. Pois este é o objetivo da filosofia platônica”.

Nascido em Flávia Neápolis, na Samaria, no inicio do Século II testemunhou com sangue sua verdadeira conversão ao Cristianismo com o martírio no tempo do Imperador Marco Aurélio, ainda conservam-se as atas autênticas de seu martírio. Justino deu a filosofia um novo conceito, para ele há uma contradição de se aceitar o sincretismo religioso dos Gregos e o conceito de que a filosofia é acessível e alcançável pela inteligência natural dos homens, já que se existe uma realidade religiosa, a filosofia deixa de ser meramente natural para necessitar de um auxilio e é exatamente nisso que entra o Cristianismo, como a verdadeira filosofia para Justino.Em resumo, o Cristianismo é a única filosofia segura e útil.Contudo surge a seguinte pergunta: estaria os filósofos antigos todos errados na suas formulações,já que estes não tinham o auxilio da revelação Divina? Pois bem,esta pergunta Justino responde, elaborando uma doutrina da participação dos Gregos no Cristo.Dizia ele que estas pessoas,até mesmo ateus como Sócrates e Heráclito, possuíam digamos um “germe” de toda  a verdade revelada pelo Logos ².Ainda que imperfeita as verdades dos Gregos,estes tinha o logos parcial,já que o logos integral é o próprio Cristo,desta forma todos os filósofos antigos que se esforçaram com sua inteligência para elaborar verdades e fogem de vícios terrenos podemos chamar-lhes sem medo de Cristãos.Assim surgiu o chamado Humanismo Cristão!

É certo que o demônio odeia o Logos, como conseqüência também odeia aqueles que ,como já foi explicado,possuem este germe ou semente do Logos.Com isso Justino chega a afirma que o inimigo promoveu o assassinato de um Heráclito ou de um Sócrates e que essa perseguição a estes já prefigurava o que seria a perseguição aos Cristãos após Cristo,a qual, o próprio Justino sentiu na pele.Com tudo isto o Santo chega a uma conclusão que revolucionaria o modo de pensar de quem são os verdadeiros possuidores da cultura antiga,escreve Justino na sua apologia ³: ” Tudo o que já se disse de acertado,por quem quer que seja,pertence a nós Cristãos ”.Isso mostra que para ele toda a herança dos valores antigos mais elevadas pertencem aos Cristãos.

Concluo este texto com uma frase belíssima do corajoso Santo que sem dúvida contribuiu em dar ao Cristianismo seu verdadeiro valor e um lugar especial na história da humanidade: “Ninguém creu em Sócrates a ponto de dar a vida por sua doutrina. Quanto a Cristo, porém, a quem Sócrates já conheceu em parte.., nele crêem não só os filósofos e sábios,como também artesãos e as pessoas mais simples,e isto com o mais perfeito desprezo às honrarias,ao temor e à morte. Pois ele é a força do Pai inefável, e não um vaso de razão humana”.

1- Doutrina da existência de realidades incorpóreas.

 2- O Logos (em grego λόγος, palavra), no grego, significava inicialmente a palavra escrita ou falada—o Verbo. Mas a partir de filósofos gregos como Heráclito passou a ter um significado mais amplo. Logos passa a ser um conceito filosófico traduzido como razão, tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da Ordem e da Beleza, para os Cristãos o Logos passa a ser Jesus.

 3- Justino escreveu duas apologias direcionadas provavelmente ao Imperador romano Antonio Pio, onde defende os Cristãos de mentiras propagadas pelos pagãos.

Por: Augusto Cesar 

 

Referências

 

  • Philotheus Boehner e Etienne Gilson, História da Filosofia Cristã. Editora Vozes,12° Ed.

  • Nicola Abbagnano, História da filosofia (Vol 2).Editorial Presença, 3° Ed.

  • Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini, Um Santo Para Cada Dia.Editora Paulus,7° Ed.

  • Apologias de São Justino dirigida "Ao imperador Tito Élio Adriano Antonino Pio César Augusto, ao seu filho Veríssimo, filósofo, a Lúcio, filho natural do César Augusto, ao seu filho adotivo de Pio, amante do saber, ao sacro Senado e a todo o povo romano"

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2 comentários:

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