20150407

Entrevista Dom José Ruy OFMCap

[caption id="attachment_512" align="alignleft" width="290"]domjoseruy Sua Excelência Reverendíssima Dom José Ruy Gonçalves Lopes OFMCap - Bispo de Jequié BA.[/caption]

 Hoje o Catholic Nerds mais uma vez entrevista um membro do Episcopado Brasileiro. Desta vez conversamos com Sua Excelência Reverendíssima Dom José Ruy Gonçalves Lopes OFMCap (Ex toto Corde), 2° Bispo da Diocese  de Jequié BA.


Dom José Ruy fez seus votos religiosos na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 10 de Dezembro de 1988, ordenado Presbítero em 5 de Dezembro de 1993, sendo nomeado Bispo por Sua Santidade Bento XVI em 4 de Julho de 2012 e recebeu a Ordenação Episcopal em 7 de Setembro de 2012.


Catholic Nerds: Quando o senhor  sentiu o chamado ao Sacerdócio?


Dom José Ruy: Nosso Senhor vinha me cativando, tornando meu coração sensível à oração, a Eucaristia, a natureza, até que dois fatos foram decisivos para que eu pudesse perceber que havia um chamado de Deus. Primeiro quando meus colegas de antigo 2º. Grau conversávamos sobre as opções de escolha para o vestibular. Cada um deles queria ser o maior e ao ser inquirido pelos mesmos, disse-lhes que eu seria ainda “maior”. Durante a preparação para o sacramento do Crisma, o segundo fato veio esclarecer o primeiro. Fui “sorteado” pelas Irmãs do Cenáculo da Caridade (ou Preciosíssimo Sangue) para ler um livro do Pobrezinho de Assis. Estava lá, inequivocamente, uma das citações do evangelho de Mateus que o santo mais gostava: “quem quiser tornar-se grande, seja o menor entre todos”. Pensei comigo, é isto mesmo Senhor, é para isto que estás me chamando. De início meu pai, assim como Bernadone, não aceitou, mas diferente daquele, tornou-se entusiasta de minha vocação pouco tempo depois.


Catholic Nerds: O servo de Deus Pe Julio Maria Lombarde expressava a vocação com a frase: Quando um coração Eucarístico penetra um oração humano isto é uma revolução. Como se deu essa maravilhosa revolução em vosso coração?


Dom José Ruy: Não existe felicidade maior na vida de um sacerdote senão ter o Santíssimo Corpo e o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor em suas mãos. É algo profundo e demasiadamente grande para a compreensão humana. Somente pela fé. É pura Graça!


Catholic Nerds: Como foi a escolha de entrar para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos?


Dom José Ruy: Exatamente pela resposta encontrada naquele livro sobre São Francisco de Assis. Meus sonhos pueris eram exatamente de uma proximidade com Deus pela sua Criação. Descobri, depois, a Ressurreição como beleza plena.


Catholic Nerds: Como sua família reagiu ao seu desejo de ser Sacerdote?


Dom Jose Ruy: Conforme a primeira resposta.


Catholic Nerds: Quem foram as suas inspirações na vida religiosa?


Dom José Ruy: Além de São Francisco, as Irmãs Religiosas do Cenáculo da Caridade, os primeiros confrades, especialmente os italianos “delle Marche” idosos. Depois foi infuso em meu coração o amor à Igreja de forma ainda mais especial (São Francisco diz na sua Regra de Vida que o frade deve ser antes de tudo “católico”) os Santos Capuchinhos, a exemplo de São Serafim de Montegranaro, São Lourenço de Bríndise, São Félix de Cantalice e, sobretudo e especialmente, de São Pio de Pietrelcina de quem sou devotíssimo. Não poderia deixar fora desta litania, o grande Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino.


Catholic Nerds: Caso não fosse chamado ao Sacerdócio seguiria outro caminho na Igreja?


Dom José Ruy: Certamente seria um leigo muito comprometido, talvez na OFS...


Catholic Nerds: Para aqueles que hoje dão os primeiros passos  em sua vocação, quais os conselhos que o senhor daria? O que é necessário para uma vocação plenamente realizada?


Dom José Ruy: Parafraseando Santa Clara de Assis, manter-se firme no ponto de partida, no chamado primeiro. É ele que faz, com a Graça de Deus, firme na resposta ao Senhor.


Catholic Nerds: Como foi vossa trajetória ate se tornar Sacerdote?


Dom José Ruy: Fiz o meu aspirantado no Seminário dos Capuchinhos em Vitória da Conquista (BA) concluindo ali o 2º. Grau. Posteriormente fui enviado à cidade de Esplanada onde realizei o postulantado e o noviciado até emitir os primeiros votos. Em seguida fui a Salvador, onde no Instituto de teologia da UCSal, cursei filosofia e teologia. Nesse itinerário não houve novidades, exceto residir na periferia nos últimos anos da teologia. A convivência com o povo ajudou bastante.


Catholic Nerds: Quando da vossa nomeação para Bispo de Jequié muitos veículos de imprensa destacaram a sua ida para Jequié como um presente, como foi para o senhor o chamado de Bento XVI para o Episcopado? Como se sente alguém ao ser chamado a suceder os Apóstolos?


Dom José Ruy: Inicialmente vem um sentimento um tanto quanto confuso até a consciência de que é mesmo o próprio Deus quem chama. Não pelos nossos merecimentos, mas no mistério insondável que a Ele pertence. Essa tranquilidade me veio quando, após a Sagração Episcopal, encontrei-me pessoalmente com o Santo Padre Bento XVI na sacristia da Basílica de Nossa Sra. de Loreto, ocasião do ano da fé. Não foi um encontro de deleite... Foi um momento de êxtase. Ao me apresentar a ele como sendo o último bispo capuchinho nomeado no Brasil, segurando minhas mãos, aquele homem terno e de voz doce, apenas me revelou a sua lembrança de quando assinou a minha nomeação. Não sei se cheguei a “levitar”, mas confesso que até esqueci de retirar o solidéo para reverenciá-lo.


Catholic Nerds: Como se deu a escolha de seu Lema Episcopal?


Dom José Ruy: Sempre desejei que Deus habitasse em meu coração, que em tudo eu pudesse fazer “de coração”. Aos domingos, na Paróquia dos Capuchinhos, em Feira de Santana, celebrava os batizamos e usava quase sempre o texto do Evangelho de Mateus (22,13), onde está também a referência à shemmá: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração”. Escolhi, portanto, o “de todo coração”, sabendo que tudo deve ser feito com amor, por amor.




[caption id="attachment_527" align="aligncenter" width="290"]Brasão Episcopal de Sua Excelência Reverendíssima Dom José Ruy Gonçalves Lopes OFMCap. Brasão Episcopal de Sua Excelência Reverendíssima Dom José Ruy Gonçalves Lopes OFMCap.[/caption]

Catholic Nerds: Quais foram os primeiros sentimentos como Bispo?


Dom José Ruy: É uma passagem na qual ainda estou me adaptando. Sei que a Graça de Deus, a Graça do estado, age. Confio nela. Deixo que o Senhor tome a frente e me guie a fim de que eu possa conduzir a Igreja que ele entregou a minha humilde fraqueza.


Catholic Nerds: O senhor é um bispo que faz uso de redes sociais, qual a importância do uso das redes sociais nos dias de hoje?


Dom José Ruy: Uma parte da vida do mundo moderno está nas redes sociais. Não se pode prescindir destas, mesmo que sejam contraditórias. Mas, se pode a partir das mesmas, estabelecer comunhão eclesial e fraterna. O exemplo disso está nessa entrevista pelo vínculo criado com o editor e irmão, Maurício Gil a quem incluo em minhas preces.


Catholic Nerds: As redes sociais se tornaram um grande campo de apologética para os jovens e vemos a cada dia mais jovens empenhados no conhecimento das Escrituras Sagradas, do magistério e da Tradição da Igreja, como o senhor enxerga esse interesse? Quais os frutos bons e ruins podem ser colhidos dessa busca pelo conhecimento?


Dom José Ruy: As redes sociais constituem-se num “território livre”, quase que numa terra sem dono. É preciso ter muito cautela. Onde o livre arbítrio é demasiado, a responsabilidade é ainda maior. Se pode construir e se pode destruir em poucos minutos.


Catholic Nerds: Uma das coisas que mais  percebemos no comportamento dos jovens hoje em dia é um profundo zelo pela Liturgia bem celebrada e um cuidado em se levar a sério as rubricas podemos considerar esse interesse como uma possível fonte de vocações?


Dom José Ruy: Achei muito pertinente uma colocação a uma pergunta semelhante a esta que fizeram a meu Irmão Dom Henrique Soares e o mesmo revelou o amor com que jovens que não conheceram nem o antes e nem o pós imediato Concilio tem com a liturgia. Aliás, já afirmava o Papa emérito que “a melhor catequese é uma liturgia bem celebrada”.


Catholic Nerds: Como evitar os abusos litúrgicos quando se trata da inculturação?


Dom José Ruy: Confesso-lhes que não sou entendido em inculturação. Tenho muito que aprender ainda.


Catholic Nerds: O que não tem lugar dentro da Santa Missa?


Dom José Ruy: O que a própria constituição Sacrossantum Concilium (36, parágrafo 3) não permite. Devemos entender que o sacramento possui um rito e este rito não pertence a alguém para dele dispor, mas pertence a Igreja.


Catholic Nerds: O senhor é um bispo que faz o uso da batina e vemos cada dia mais o apreço dos jovens pelo uso por parte de nossos Sacerdotes, qual a importância do uso da batina no cotidiano?


Dom José Ruy: O Papa Francisco tem nos alertado que as vestes não devem se sobrepor à dignidade do ser humano e menos ainda para encobrir nossas fraquezas. Desde frade sempre amei o meu hábito religioso e procurei usá-lo conforme as ocasiões certas. Não se pode banalizar as vestes que nos identificam. O Papa Bento sobre isto dizia: “a roupa confere ao homem o seu lugar social”. Não tenho vergonha de me apresentar como Bispo. Pelo contrário, percebo que as pessoas gostam de ver o seu Bispo como ele é: um Bispo. Assim também repetia o saudoso Dom Hélder Câmara.


Catholic Nerds: Como deve ser o trabalho com os jovens? Quais as bandeiras devem ser defendidas pelos jovens católicos?


Dom José Ruy: Não existe outra bandeira senão a da Fé. Não existe outra cruzada senão aquela do amor.


Catholic Nerds: Deixe uma mensagem aos leitores.


Dom José Ruy: São João Evangelista, o Discípulo Amado, fazia em sua ancianidade uma pregação em dizia: “Filhinhos, amai-vos”. Não teria outra coisa a acrescentar.


Por: Mauricio Gil


Fundador e Redator do Catholic Nerds.


Todos os Direitos reservados, permitida a reprodução desde que citada a  fonte.


Fotos: Mitra Diocesana de Jequié BA.

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4 comentários:

  1. Thiago Figueiredo7 de abril de 2015 05:20

    Olá irmãos, paz e bem. Ótima entrevista com Dom José Ruy. Que Deus abençoe cada dia mais sua caminhada e vocação. Que sejas um anunciador de Cristo cada dia mais.

    Obs.: Paróquia São Francisco de Assis, Diocese de Eunápolis.

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  2. Parabéns ao Catholic Nerds, pelas perguntas contundentes e bem formuladas.

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