20150616

Santa Catarina de Siena – Vida e Obra

catherine_of_siena_writing1“Ela foi uma religiosa muito simples de Ordem Terceira, mas, um dia, foi chamada a pregar para Bispos e Cardeais. E, quando aquela jovem que parecia tão frágil começou a falar, aquelas autoridades reunidas caíram em choro. Sim, caíram em sentido figurado; se prostrando ao chão enquanto confessavam seus pecados. (...) Ela também foi a responsável por uma das maiores vitórias dentro de nossa Igreja: quando em um período de crise (Cisma do Ocidente), o Papa passou a viver na França, foi a referida jovem quem convenceu o Papa a voltar para Roma – lugar de onde nunca deveria ter saído.”


Há alguns anos, foram estas as primeiras frases que o Padre João Rocha (meu diretor espiritual, um sacerdote italiano que vive no Brasil desde 1968, enviado em missão pelo Papa João XXIII), utilizou para me contar sobre a vida de uma das únicas quatro doutoras da Igreja. Mas, como um bom diretor espiritual, eu teria ainda algumas tarefas por refletir antes de ficar sabendo que se tratava de “Santa Catarina de Siena”.


Nossa igreja tem um número muito maior de homens doutores, do que mulheres. Sabemos que para ser considerado(a) um(a) doutor(a) da Igreja, são necessários significativos escritos. Vejamos, então como se delineou o percurso de Santa Catarina de Siena, esta Santa que nem sequer foi uma exímia letrada.


Da família dos “Benincasa”, Catarina nasceu em 25 de Março de 1347, na cidade de Siena na Itália. Seu pai era tintureiro. Seus pais tiveram vinte e cinco filhos, e Catarina era uma das caçulas. Teve uma irmã gêmea que não viveu muito tempo. A Itália era cumulada de pestes que em nada favoreciam os nascituros. Catarina tinha o apelido de “Eufrosina”, que deriva do grego “alegria”, mas também era o nome de uma santa muito antiga na história da cristandade.


Desde a infância, Catarina teve profundas experiências místicas com Jesus. Tinha visualizaçõese, em suas orações, chegava a entrar em êxtase. Jovem de uma beleza surreal, seus pais insistiam para que se casasse, mas, com apenas 7 anos de idade, a pequena Catarina consagrou sua vida a Deus, e não queria saber de casamento. Catarina chegou a morar com uma de suas irmãs que estava recém-casada, e que lhe fazia arrumar-se além do necessário, para atrair um pretendente. Até que Catarina entendeu, com a morte súbita dessa sua irmã, Deus lhe pedindo para voltar ao estilo de vida modesto que tinha antes. Seus pais insistiram para que se casasse com o viúvo de sua irmã, mas os jejuns e penitências que a jovem fazia, acabaram fazendo com que o noivo desistisse da ideia. Raspar a própria cabeleira foi o jeito que Catarina encontrou para convencer seus pais a permitirem-na entrar para o convento. Acabou sendo em uma ordem Dominicana Terceira.


Aos seus vinte e um anos, teve outra experiência mística, na qual recebia de Cristo um anel de ouro, em sinal de que seria totalmente Dele. Sentia também que deveria voltar para casa e ajudar as pessoas nas desolações do mundo. Sem ter uma cela, um espaço unicamente seu, Catarina criou então, uma Cela em seu próprio coração, onde deveria amar e servir as pessoas com amor inefável (Sim! Pense nisso de uma forma didática, nas pequenas tarefas do dia a dia). As pestes que assolavam a Itália ceifaram a vida de muitas pessoas. Cuidando desses moribundos e preservando a vida de outras pessoas, Catarina testemunhou a Jesus e converteu muita gente à fé cristã! No que diz respeito às ajudas, muitas pessoas seguiram seu exemplo formando centros de auxílio nesta época devastadora.


Catarina sentia também que deveria, de alguma forma, intervir na política. Viajou entre Florença e Roma na tentativa de reconciliar as cidades. Ditou, então, muitas cartas à autoridades políticas e também episcopais. Pensemos no período do fim da Idade Média, e no caos em que se encontrava a Península Itálica. Uma divisão episcopal pairava nos ares medievais gerando revolta. Foi então que o atual Papa Gregório XI se exilou na cidade de Avignon na França, e foi por meio de uma sábia carta de Catarina que o Papa retornou para Roma, com a sede pontifícia (imaginemos um significativo ‘puxão de orelha’ em todo o clero), trazendo novamente a paz entre as então Cidades-Estado.


Em 1377, Catarina fundou um convento de estrita observância para mulheres na cidade de Siena.


Tempos depois, o novo Papa, Urbano VI, convocou Catarina para permanecer em Roma, e auxiliasse na espiritualidade do episcopado pessoalmente e também por meio de suas já reconhecidas cartas.


Em todas estas transições políticas e religiosas, Catarina sofreu risco de morte. Mas suas cartas continuavam a se propagar. Endereçados ou não, seus escritos fizeram surtir inúmeras conversões! O que chamava tanto atenção em suas cartas? O que, exatamente, não podemos afirmar. Mas o que inspirava e sustentava tudo em sua vida foi o amor a Jesus: traduzido em obras, e na busca incessante de encontrar-se com seu amado na comunhão diária, nas práticas de jejum e penitência. Por muitos anos, acometida de doença, a comunhão foi seu único alimento. Há registros também de que em certa celebração eucarística, quando o sacerdote foi lhe entregar a comunhão, o próprio sacerdote sentiu como se a hóstia estivesse viva, saindo de sua mão e se jogando para a boca de Catarina.


“O Diálogo da Providência Divina” pode ser considerada sua principal obra, escrita durante seus ‘êxtases’ em oração profunda. Trata-se de uma experiência de ascese = aproximar-se mais ainda de Deus.


“As 381 Cartas” também constituem seu legado de fé e doutrina. 26 orações também foram compostas por ela.


Relatos e apontamentos de seus confessores e diretores espirituais sublinham os fatos de sua vida.


Com trinta e três anos de idade faleceu em Roma, em 29 de abril de 1380. A idade coincidir com a idade em que Cristo morreu nos faz lembrar que Catarina teve feridas pelo corpo, nos mesmos lugares em que Cristo foi machucado, caracterizando, na jovem, os estigmas de seu amado. Por um muito tempo, ela orou para que não fossem feridas aparentes, mas, após sua morte, a pele no lugar dos estigmas tornou-se praticamente transparente, e as marcas se acentuaram ainda mais. Anos após a morte, seu corpo foi encontrado intacto. Sua cabeça está preservada em Siena, onde se localizava sua casa. E seu corpo, em Roma.

No ano de 1970, o Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja, afirmando: "Suas cartas são como fagulhas de um fogo maravilhoso que brilha em seu coração, ardente do Amor infinito que é o Espírito Santo".

- Santa Catarina de Siena,

-Rogai por nós!

 

Por: Vivi Princival

Catholic Nerds

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Um comentário:

  1. Q genio, Mueck!!! Un genio. Que venga a mar del plata! ya que acá solo tenemos el festival de cine, el resto de las cosas están siempre en capital! Buuu
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