20160301

Santo Agostinho - Filosofia

Com Agostinho a especulação teológica passa a se unir ao próprio homem, onde passaria a ser orientador dos séculos. De sua plenitude irão haurir as gerações de todo um milênio, sem jamais conseguir esgotá-la.
Vivências filosóficas de Agostinho
Podemos definir de forma direta, mas não tão dividida claramente, as suas experiências filosóficas até chegar ao cristianismo da seguinte forma:
Maniqueísmo¹ → Ceticismo² → Neoplatonismo → Cristianismo
Refutações aos Maniqueus
Aquilo que, Segundo St.Agostinho, desmente o próprio principio do maniqueísmo é o caráter fundamental de Deus:a incorruptibilidade que é própria de Deus, desta forma não há sentido afirmar que existe uma luta.O que vai de contra ao argumento que Deus devia combater eternamente o principio do mal.
Refutações aos Ceticistas
Ainda que os céticos afirmem que os sentidos não reproduzem fielmente as coisas,é um fato incontestável que eles pelo menos percebem algo ou seja o ato da percepção é um fato que não admite a menor dúvida.É também claro que existem verdades lógicas,podendo ser: proposições condicionais,por exemplo,se existem um sol,não há dois sóis; ou a impossibilidade de contradição em que se pode afirmar que é impossível que a alma seja mortal e imortal.
“Prova da existência de Deus”
Na realidade não existe prova da existência de Deus, já que ele não é algo medido experimentalmente ou que todo o seu ser caiba em conceitos humanos. Mas é possível apontar para a existência de um Deus na medida de nossas limitações. É preciso primeiro esta a par de duas regras básicas para compreender como se desenvolve a sua prova da existência de Deus.
1°-Aquilo que inclui certas outras perfeições, é mais perfeito que estas.
2°- Aquilo que julga de outras coisas é mais perfeito que as coisas sujeitas ao seu julgamento.


O raciocínio vai se desenvolvendo a partir de uma hierarquia, começando de baixo até se chegar ao topo da pirâmide que é Deus.
Sabendo que se sabe que o ser humano existe, vive e pensa. Conclui-se que pensar é o mais perfeito, pois envolve os dois outros conceitos (ver regra n°1). Já que se algo pensa é porque ele vive e existe de fato. Logo o homem se torna acima das plantas e dos animais. E o pensar é o que há de mais elevado no homem, pois julga de outro e não é julgado por outro (ver regra n°2).
Existem Verdades que estão acima de certas verdades. As Verdades com um ‘V’ maiúsculo precisam atender há três características fundamentais, ela devem ser: universais, imutáveis e necessárias. Um exemplo disso se encontra na matemática, 1+1 necessariamente é igual a 2 em todos lugares e isso sempre foi e será verdade. Assim estas verdades então acima do pensamento humano, pois o pensar humano é mutável (ver regra n° 1). Logo, ai estar Deus! Nestas verdades ou acima delas.

Doutrina da Iluminação divina
Para explicar como é possível ao homem receber de Deus o conhecimento das verdades eternas, necessárias e imutáveis, Agostinho elabora a doutrina da iluminação divina. Consiste em dizer que existe uma luz eterna da razão que procede de Deus e atuaria da todo momento, possibilitando o conhecimento das verdades eternas. Ou seja, esse conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as idéias, arquétipos eternos de toda a realidade.
Esclarecimento sobre a Predestinação
A graça é necessária para que o homem possa lutar eficazmente contra as tentações da concupiscência. Sem ela o livre-arbítrio pode distinguir o certo do errado. Mas não pode tornar o bem um fato concreto, a graça é necessária e dada a todos os homens. Ajunta-se ao livre-arbítrio sem, entretanto, negá-lo; é um fator de correção e não o aniquila. Predestinação é o decreto de Deus de felicidade aos eleitos. A presciência infalível de Deus (e, portanto, também a predestinação) inclui o livre-arbítrio. A presciência de Deus não pode forçar a inevitável coerção humana, pela simples razão de que esta nada mais é do que a visão eterna dos fatos históricos futuros. Deus prevê a livre ação do homem precisamente da forma como este deseja que ocorra. Predestinação não é predeterminação da vontade humana.
“Predestinação nada mais é do que a presciência e a preordenação dos dons graciosos que tornam certa a salvação de todos os que foram salvos”. (Sto. Agostinho, Persever. 14,35).
“..porque o filho do homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos,e então recompensará a cada um segundo suas obras.”(MT 16,27).
* Citações
1- Os Maniqueus admitiam que Deus devia combater eternamente com o princípio do mal. 
2- Os Ceticistas julgavam que de tudo se devia duvidar e sustentavam que nada de verdade podia ser compreendido pelo homem.

Por: Augusto César
Catholic Nerds PE

> Referências
História da Filosofia Cristã- Philotheus Boehner e Etienne Gilson.12° Ed,Editora Vozes.
História da Filosofia- Nicola Abbagnano.Vol II,Editorial presença.

Santo Agostinho- Os Pensadores,Ed.Nova Cultura.
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